Na ressaca…

A cidadania, vivida em pleno, obriga a que sejamos capazes de, com discernimento, saber respeitar a lei e interpretá-la de forma correta, sem que dela façamos leituras ajustadas e à medida dos nossos desejos.

Contudo, facilmente nos queixamos quando caímos nas malhas da lei e por qualquer ato, até menos grave, rapidamente vilipendiamos as tábuas onde se inscrevem as regras que nos regem enquanto sociedade.

Como professor, ao longo destas mais de três décadas que levo na profissão, tenho tido oportunidade com os alunos que vou tendo, de trabalhar alguns aspetos que os levem a ser cidadãos interventivos, capazes de questionar, respeitando a lei e as instituições.

Nalgumas escolas tive turmas, em que a oportunidade de as poder levar a assistir a reuniões públicas da autarquia, para que pudessem ter contacto com a política das suas terras aconteceu.

No rescaldo dessas visitas nasceram naturalmente perguntas sobre estas questões da política e dos seus meandros. É que os alunos costumam ser bons ouvintes e em casa, a classe política é muito posta em xeque pelo dinheiro que não abunda, os preços que vão subindo e outros mimos que passam inevitavelmente pelo “são todos iguais” e “o que querem é tacho”…

Aos poucos, tento desmistificar essa ideia adiantando que todos somos responsáveis pelo estado do país e que nos compete, enquanto cidadãos fazer a diferença, pois todos podemos um dia ser eleitos.

E como a conversa é como as cerejas, e a miudagem é perspicaz, saem as perguntas sobre o porquê de uns, se juntarem a outros para que uma terceira proposta não saia vencedora.

Volto à lição de cidadania. Aí costumo dizer que a arte da política deveria, antes de tudo, servir o povo e não se enrolar em jogos de egoísmos e ambições.

Anos há em que a maturidade dos alunos me permite deixar o recado que ao contrário da matemática, em política não há contas certas (onde dois e dois não são naturalmente quatro) e a única soma que conta (ou deveria contar) é a da soma das vontades expressas pelo povo no dia das eleições.

Também lhes falo de Hondt (o do método)… de não meter todos os ovos no mesmo cesto e de como os adversários de um dia podem ser os aliados de outro.

Nalguns terei talvez despertado o “bicho” da política. Nos outros a preocupação foi apenas a de lhes dizer que todos nós somos atores a representar num palco maior que é o país onde vivemos e devemos melhorar.

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