Nova administração da ULS da Guarda quer profissionais «acolhedores e humanos»

O novo Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde da Guarda quer proporcionar «mais e melhor saúde». A presi-dente Isabel Coelho fala em «criar confiança» para o futuro da instituição e profissionais «acolhedores e humanos». Nas primeiras declarações desde que assumiu funções no início do mês, Isabel Coelho disse sobre o passado que se foram cometidos erros, devem-se arranjar es-tratégias para os poder superar.

Elisabete Gonçalves
elisagoncalves.terrasdabeira@gmpress.pt

A nova administração da Unidade Local de Saúde da Guarda prestou esta Segunda-feira as primeiras declarações depois de ter iniciado funções no dia 2 de Maio. Em conferência de imprensa, Isabel Coelho, a presidente do Conselho de Administração, apresentou a equipa que escolheu para liderar a instituição e com a qual diz querer «trabalhar afincadamente». Sobre o elemento que há-de ser indicado pela Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela, Isabel Coelho entende que pode ser o elemento «privilegiado de ligação à comunidade». «Não é uma escolha nossa. Não sei como está o processo, mas seja quem for será bem-vindo», sustentou.
A dirigente evitou pronunciar-se detalhadamente sobre determinados assuntos que aconteceram durante a vigência do anterior Conselho de Administração argumentando que o tempo que tem de funções ainda é muito curto para estar a par das matérias. É o caso dos polémicos concursos para a admissão de pessoal e que foram contestados judi-cialmente, a morte de um bebé no ventre da mãe, por alegada falta de assistência, e a fuga de radiação do aparelho de tomografia axial computorizada (TAC). «Primeiro temos que detectar se houve erros ou não. Não vamos julgar ninguém, nem sequer está nas nossas competências. Mas, [caso] sejam erros, tenham existido erros, temos que aprender com os erros e temos que arranjar estratégias para os poder superar», afirmou.
Isabel Coelho disse querer proporcionar «mais e melhor saúde», apostando também na interligação entre os diferentes níveis de cuidados. «Nós queremos fabricar mais e melhor saúde para os utentes da nossa unidade», disse a dirigente.
A nova equipa directiva quer implementar «aquilo que faz falta para concretizar a interligação completa entre os diferentes níveis de cuidados de saúde, apostando «na formação dos funcionários», na inovação e investigação. Isabel Coelho defendeu que é preciso «reorganizar serviços» e «criar espírito de equipa». «Queremos para o futuro desta instituição criar confiança, ter serviços onde se apliquem as melhores práticas existentes, queremos ser acolhedores e, sobretudo, humanos», assumiu.
A ULS pretende fazer «uma aposta na qualidade e segurança» e «assegurar definitivamente a centralidade no utente, no doente, no cidadão».
O novo Conselho de Adminis-tração ainda não definiu prioridades e estratégicas. Antes disso, Isabel Coelho diz que é preciso fazer um diagnóstico da situação. Mas há vertentes em que a equipa quer apostar. A promoção da saúde, a vacinação, a prevenção primária e secundária, curativa, reabilitadora e paliativa.
Ao nível da gestão, a ULS não quer «desperdiçar nada, nem criar elefantes brancos». Os recursos financeiros serão geridos com muito critério. O processo único do utente servirá, segundo Isabel Coelho, para melhorar a prestação da qualidade do serviço ao utente e garantir a eficiência no serviço. Defende a criação de procedimentos padronizados «mais transparentes e mais fluídos», para que se tornem também «mais rápidos». «Continuamos a precisar de eficiência», sublinhou.
A nova administração reitera o objectivo dos seus antecessores de atrair mais profissionais para a ULS. «Estamos aquém do desejável», refere Isabel Coelho, destacando também que é necessário «valorizar» os que já cá estão.

Constrangimentos afectivos
O novo Conselho de Adminis-tração da ULS é composto por cinco mulheres da “casa”. Para além de Isabel Coelho que preside, fazem ainda parte da equipa Maria de Fátima Cabral, no cargo de directora clínica; Maria de Fátima Lima, directora clínica para os cuidados primários; Nélia Faria, enfermeira directora, e Sandra Gil, vogal executiva. Isabel Coelho disse que quando escolheu a equipa definiu «competências e perfis» e não foi uma escolha em função do género. A presidente da ULS evidenciou que ao quererem associar-se à administração da ULS, todas têm consciência de que terão de ser feitos «sacrifícios pessoais, profissionais e até familiares». Isabel Coelho admite que todas terão «constrangimentos afectivos» ao lidar com as áreas profissionais a que estavam ligadas. «O corte com os meus doentes é muito doloroso», reconheceu Isabel Coelho ao referir-se aos utentes da Unidade de Saúde Familiar A Ribeirinha, estrutura de que também era coordenadora. A directora clínica era directora do serviço de Dermatologia; Nélia Faria era até agora enfermeira no Serviço de Pediatria do Hospital da Guarda; Fátima Lima era médica de clínica geral e familiar no Centro de Saúde de Gouveia.
Na opinião de Isabel Coelho, o facto de serem todas da “casa” traz o «acrésimo de que aquilo que forem «capazes de fazer» enquanto estiverem na administração será para elas «próprias». «Se conse-guirmos cumprir, no futuro também nos sentiremos melhor em regressar ao nosso posto de trabalho».
Recorde-se que a nova legislação sobre a composição dos conselhos de administração das unidades de saúde foi publicada em Fevereiro. O diploma refere que «os membros do conselho de administração são designados de entre individualidades que reúnam os requisitos previstos no Estatuto do Gestor Público e possuam preferencialmente evidência cur-ricular ou formação de gestão em saúde, sendo director clínico um médico e enfermeiro-director um enfermeiro». O mandato dos me-mbros do conselho de administração tem a duração de três anos renovável, uma única vez. Para além do Conselho de Administração serão também órgãos da ULS o conselho fiscal e revisor oficial de contas; o fiscal único e o conselho consultivo. O fiscal único é o órgão responsável pelo controlo da legalidade, da regularidade e da boa gestão financeira e patrimonial da ULS. Será designado por despacho do membro do Governo responsável pelas áreas das finanças.
Este é o quarto Conselho de Administração desde que foi criada a ULS da Guarda, que agrega dos hospitais da Guarda e Seia e os 13 centros de saúde do distrito.

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