Nova Normalidade e Nova Linguagem

Nestes tempos de Pandemia surgiram novos conceitos, que tentam designar uma nova realidade designada por nova normalidade, por isso tal como aconteceu com Antoine Laurent Lavoisier que, ao querer pensar numa nova química, teve de criar palavras que lhe permitissem falar sobre ela com precisão e rigor e definir regras de uso dos novos saberes. Agora estamos perante uma pandemia que põe em causa as regras de convívio, nomeadamente o distanciamento social e as regras de organização empresarial e com consequências macroeconómicas, originando novas regras da argumentação, que têm de ter uma base científica, já que determinam agora os ritmos de vida e de convívio.

Não admira que em tempo Nova Normalidade, o Primeiro Ministro Português, António Costa e o Primeiro Ministro Italiano, Giuseppe Conte avisem que degradação das previsões económicas impõe um acordo europeu desde já sob a forma como vão falar das difíceis condições da Economia Portuguesa e da Italiana.

Sabemos assim da dificuldade de falar da Nova Normalidade, pois isso ultrapassa a aritmética ou qualquer matemática mais complexa, sendo necessário pensar que novos significados e significantes devem ser introduzidos para que possamos conversar e falar deste novo real. É o necessário para que a realidade seja percebida e, se possível, sem os defeitos e incompreensões que a velha normalidade tinha e que agora parece renascer em práticas dolorosas nas empresas, configurando aberrações antigas.

Emergem por isso das trevas onde pareciam ter mergulhado as práticas aberrantes das grandes empresas, que tentam ganhar com esta Nova Normalidade o que não tinham conseguido antes da Pandemia. Perseguem por isso as pequenas empresas e tentam canibalizá-las com o auxílio dos Governos, que tentam por todos os meios através dos partidos que os sustentam derrotar todas as forças políticas que venham em seu auxílio. Pressurosamente as grandes empresas reaparecem mal acaba o desconfinamento a exigir pagamentos, tornando o dia-a-dia dos pequenos empresários uma lufa-lufa cansativa. E se isso até é natural, algumas não o suportam e fecham, tornando menos coloridas e bem menos multifacetadas as ruas das nossas cidades e aldeias.

Nota-se que os velhos senhores do grande capital querem ganhar terreno e ganharam-no na verdade durante o confinamento, pois só as grandes empresas estavam abertas. Contudo, é óbvio que as empresas de pequena dimensão têm direito à vida, representam muitos empregos e são para muitos uma forma de progresso social e económico para além de serem uma realização de sonhos pessoais no campo profissional.

Não podem por isso ser silenciadas pois representam atividades que contrariam a desertificação, que conhecemos e lastimamos, bem perto de nós. Não podemos por isso aceitar sacrifícios do nosso bem-estar justificados em nome da salvação das grandes empresas que, infelizmente, sabemos serem bem mal geridas, mas que redundam sempre em prejuízo dos equilíbrios sociais, expressos na necessária, mas por agora inexistente coesão social.

Assim, nesta Nova Normalidade os velhos conceitos da solidariedade devem ter uma renovada e bem audível expressão.

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