O Despenseiro-mor

Agora que estamos imersos numa campanha eleitoral, em que se empenham dois fortes candidatos a despenseiro-mor, que vão dizendo muita coisa, traçando linhas suavemente vermelhas, procurando enfim captar os votos necessários para conseguirem as chaves da despensa, onde se guardam as vitualhas, que distribuirão depois pelos seus fiéis. Mas, um deles, sendo católico diz-se não crente como me informa o Facebook. O outro tenta explicar sem grande sucesso porque precisa de uma maioria absoluta.

Atrás de um e outro estão muitos senhores necessitados do acesso farto às coisas guardadas na despensa pátria. Tenhamos por isso muito cuidado.

Querem todos que esta fique farta com o fruto do trabalho dos seus concidadãos, a quem convocam para o necessário sacrifício que salva uns e empobrece outros e ainda dá para tapar os buracos da sua incúria. Vi por isso, e sem surpresa, que uma conta da CGD tinha um desconto para colmatar um seu buraco, criado por uns banqueiros mal-amanhados que a tinham desgovernado. Felizmente, agora, esse mau momento já foi ultrapassado. A Caixa já dá lucro e distribui dividendos, deixando de precisar de recorrer ao despenseiro-mor para resolver os seus problemas de liquidez. Mais, já ninguém pensa nos banqueiros pretéritos e os empregados dela ainda sonharam com aumentos de salários, mas logo se desiludiram. Outros querem só que não diminuam os seus salários.

Nem se fala agora nos empregados que Ricardo Espírito Santo Salgado tinha no Governo de José Sócrates, coisa que os juízes-mores da República não conseguem julgar, parecendo agora afadigados em se organizarem para o fazerem ou até não. Nem se preocupam em julgar os buracos, que custam milhares de milhões do governo que lhe sucedeu, que temos de pagar e bem a contragosto com perdas de empregos, falências e emigração em massa. Continuando alguns milhares de milhões de euros a faltar na saúde, na educação, na sustentabilidade do apoio à economia e à coesão social e em vários etc.

Confesso-me assim ávido de justiça, mas não crente na sua existência perante o debate eleitora, em que tudo se discute, mas onde não se lançam as bases da transparência contabilística, que obrigue os candidatos a despenseiros a concretizar a justiça que nos tarda, pois, tal coisa é bem complicada. Dizem-me os físicos e os alquimistas que tal coisa comentam sem nos darem qualquer conselho que o propicie no debate em curso.

Só os colunistas parecem estar confiantes do que dizem. As escolas de economia já que nada ensinam e investigam nada dizem. Sabemos apenas que nada sabem pelo que publicam. Estamos assim descrentes da ciência económica.

Os calculadores dos milhares de milhões fazem contas aos fundos europeus, enquanto os propagadores-mores de boas novas falam de Planos de Resiliência e Recuperação e, ao nível local, fala-se agora de milhões nas autarquias e esquecem-se os escassos milhares de euros dos orçamentos das freguesias.

Tudo corre assim normalmente nos jornais nacionais e locais, enquanto se queixam de cansaço os profissionais de saúde, que já sonham com a transformação do drama da pandemia em endemia suave e pouco preocupante, que conformará a esperada nova normalidade em tempos de desigualdade entre os homens do Mundo, que se pré-anuncia como algo doentio, que será o nosso futuro.

Queremos todos saúde que nos permita respirar e viver a Primavera, que aí vem enquanto viajamos ou pelo menos que caminhemos por entre as árvores despidas de folhas caducas, esperando que um novo tempo nos deixe sonhar com uma nova racionalidade e a frugalidade, que nos permita uma vida sem demasiados cuidados.

Devemos só ter cuidado para não cairmos em qualquer desequilíbrio ambiental.

Mas, será difícil.

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