«O facto de sermos hospital e laboratório de referência para a região Centro, logo desde o início, foi uma enorme vantagem», afirma Fátima Vale, coordenadora do Laboratório de Patologia Clínica da ULS da Guarda

Na escolha do Hospital da Guarda como unidade de saúde de segunda linha no tratamento da Covid-19 também pesou o facto do Laboratório de Patologia Clínica da Unidade Local de Saúde da Guarda ser reconhecido pela sua excelência e ter capacidade de resposta. A coordenadora do Laboratório, Fátima Vale, considera que tratando-se de uma pandemia de «velocidade impressionante» e «com consequências avassaladoras» nenhum hospital ou laboratório conseguiu preparar-se como gostaria. Mas acredita que o facto de ser um laboratório de referência para a região centro «foi uma enorme vantagem» que permitiu «ter outra capacidade de resposta perante a avalanche de situações». O laboratório já tinha equipamentos, tendo sido necessário adquirir apenas o reagente específico. Com o evoluir da situação, houve necessidade de reforçar a equipa de técnicos exclusiva para a Covid-19. Até a início da semana passada já tinham sido feitos mais 2200 testes, uma média de 160 por dia.

Como se preparou o laboratório para esta pandemia? O que foi necessário adquirir e quantos profissionais tiveram de receber formação para esta situação específica?
Sendo um laboratório onde desde sempre se trabalharam amostras na área da tuberculose e onde se faz diagnóstico molecular para esta e outras infecções causadas por agentes infecciosos (vírus e bactérias), a estrutura física e as normas de segurança biológica que é necessário respeitar já existiam, fazendo parte do dia a dia de toda a equipa.
O facto de o laboratório ser membro da Rede Portuguesa de Laboratórios para o diagnóstico da gripe em Portugal ajudou-nos. Há regularmente reuniões, onde são discutidos assuntos relevantes e muito práticos nesta área e sabemos que podemos contar com o INSA [Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge], Laboratório Nacional de Referência para o vírus da Gripe. Neste caso foram precisamente os laboratórios da rede os convocados para a preparação da “Rede de Laboratórios para a realização do diagnóstico laboratorial do SARS-CoV-2” [designação atribuída ao novo coronavírus responsável pela doença Covid-19].
Tratando-se de uma pandemia que nos atingiu a uma velocidade impressionante com consequências avassaladoras nunca vividas por nenhum de nós, naturalmente, nenhum hospital ou laboratório conseguiu preparar-se como gostaria.
Olhando para trás, considero que o facto de sermos hospital e laboratório de referência para a região centro, logo desde o início, foi uma enorme vantagem, mostrando também que o trabalho de qualidade a sempre nos impusemos, estava a resultar. Seguramente, permitiu-nos ter outra capacidade de resposta perante a avalanche de situações com que fomos e continuamos a ser confrontados. Inicialmente não foi preciso adquirir nada em específico para este diagnóstico. O laboratório já tinha equipamentos, sendo a técnica em tudo semelhante ao que fazemos para outras situações. Apenas adquirimos o reagente específico.
Quando começámos a receber amostras de toda a região Centro, tivemos de repensar novamente tudo. Tanto ao nível das equipas alocadas ao teste e seus horários, como também toda a logística que passa pela recepção de amostras, registo de pedidos dos diferentes centros e ainda muita reorganização ao nível informático. Não podendo perder a rastreabilidade de todo o processo, sentimos todos uma obrigação na emissão de resultados.
Para aumentarmos ainda a capacidade de resposta precisámos de mais centrífugas de biologia molecular só sendo possível graças aos nossos parceiros habituais que nos ajudaram com prontidão e a quem muito agradeço, à Universidade da Beira Interior e Escola Superior de Saúde Dr. Lopes Dias de Castelo Branco, não podendo deixar de referir a colaboração do Laboratório de Saúde Pública da ULS, sempre disponível.
Quanto aos profissionais, como é do conhecimento de todos, o interior tem uma grande escassez e nós não somos excepção. Tínhamos já três profissionais com formação e competência na área, dois já estavam em formação, já com uma grande independência, mas sentimos necessidade de formar mais uma pessoa. Todos desempenham funções noutras áreas do laboratório, mas neste momento a dedicação a esta área é quase exclusiva.

Que equipamentos são necessários para o processamento das amostras? Quantos é que existem no laboratório da ULS da Guarda?
Se para a área clínica ouvimos que são essenciais ventiladores, de forma análoga no laboratório são essenciais Termocicladores para PCR em Tempo Real e equipamento de extracção de ácidos nucleicos. Neste momento estamos a fazer a extracção manual. No entanto, as zaragatoas para colheita de amostras são indispensáveis ao diagnóstico. A este nível tivemos de ter alguma “imaginação”. Na totalidade temos quatro Termocicladores e, destes, dois estão dedicados ao diagnóstico do SARSCoV-2.

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