O frio das nossas casas

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a habitação constitui-se, entre outros aspetos, como um determinante social da saúde. Neste sentido, pode afetar a mesma de maneira positiva ou negativa.

Ora, de acordo com o Eurostat, o gabinete de estatística da União Europeia, 18,9% da população portuguesa não conseguia, em 2019, aquecer adequadamente as suas casas. São, em números absolutos, cerca de dois milhões e cidadãos e pior do que nós apenas se encontram a Bulgária, a Lituânia e o Chipre.

De facto, a estatística confirma neste caso a observação empírica que tive há uns anos com um casal emigrado na Alemanha, que me disse ser habitual, ainda que num país com invernos mais rigorosos, estar de t-shirt e calções em casa durante todo o ano. Fiquei, na altura, impressionado.

Para além disso, estes dados referem-se a um momento prévio à pandemia. Todavia, uma peça do Jornal Expresso sobre um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos e cujo título é “Pandemia deixa mais de metade da população sem conseguir pagar despesas (ou em risco de não conseguir)”, pode ser o vislumbre de um aumento desta percentagem.

Ainda sobre este tema, a reportagem “O combate europeu ao frio que nos desune dentro de casa”, uma das vencedoras do projeto reportEU promovido pela Representação da Comissão Europeia em Portugal e desenvolvida por uma equipa do curso de Comunicação e Jornalismo da Universidade Lusófona, aponta como causa para esta percentagem significativa o problema estrutural da má construção em Portugal, associada a uma tradição cultural de estar agasalhado em casa.

Dada a magnitude desta realidade, 4% do badalado PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) – 610 milhões de euros – serão dedicados à eficiência energética de edifícios e que todas as novas construções terão de ser “tendencialmente neutras em necessidades energéticas”.

Concluindo, para futuro e logo num tópico tão relacionado com a construção, fará sentido adaptar uma expressão que de quando em vez vem à baila, pedindo-se novos tijolos com mais miolos nas intervenções e projetos vindouros.

Nota explicativa: Como apresentado publicamente no dia 10 de julho e veiculado por diferentes órgãos de comunicação social da região, aceitei o honroso convite endereçado pelo candidato Sérgio Costa para mandatário da juventude da candidatura independente “Pela Guarda”. Como tal, decidi suspender este espaço quinzenal no Jornal Terras da Beira durante o período eleitoral autárquico que culmina com as eleições do dia 26 de setembro. Após reflexão, entendo que, por (tanto quanto sei) nem todos os envolvidos nas diversas candidaturas em funções equivalentes disporem de um espaço semelhante e também por considerar difícil conciliar de forma imiscível as posições de mandatário da juventude de uma candidatura e cronista num jornal, esta é a melhor decisão.

Espero regressar e continuar a ser lido por todos após este período eleitoral que se quer vivo, participado e discutido em prol da Guarda e dos guardenses!

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