Os cancros

Um amigo meu escreveu sobre cancros económicos e financeiros. São os que a partir do centro do poder político, que existe no litoral, inquinam a vida nacional e esvaziam de população o nosso interior, de onde sugam todos os recursos e assim crescem sempre, tal como acontece com qualquer célula cancerígena.

Há que questionar por isso porque algumas células têm direito a alimento suplementar, e sem que a Governação lusitana lhe imponha limites. De facto, esta o que faz com muita eficiência é cobrar impostos para entregar o dinheiro cobrado às empresas ineficientes, que nos prestam maus serviços e vendem bens sem qualidade, mas só o fazem se forem bem grandes.

E quem são estas células cancerígenas?

Uns dirão que são os que estão infiltrados no aparelho de Estado, ocupando postos de variada importância, gastando recursos escassos e sempre que podem, mostrando assim a sua importância, emperram tudo e impedem que se faça o que é preciso. E acabam por nada fazer com lealdade aquilo que se espera deles. Em tudo, procuram agradar ao chefe e este aos variados comissários políticos, que obedecem a um chefe que procuram antecipadamente prever e seguir. Fazem-no para que tudo lhes corra bem numa vida profissional, que não cumprem de todo pois o importante é o chefe dizer que fizeram o que ele queria. É o que agora estão atarefadamente a fazer, não tendo sequer festejado com empenho o Natal.

Paradoxalmente, o grande objetivo dos chefes deste país é fazer o que os donos do capital, que até pode ser fictício, se sintam seguros de que podem fazer o que querem, e mesmo sem qualquer inteligência ou algum entendimento. São estes as células cancerígenas que tudo determinam como doença coletiva.

Isso vê-se nos hospitais mal apetrechados em equipamentos e em pessoal, nas escolas com professores envelhecidos, nas ruas degradadas, etc.

Não admira que, seguindo-lhes o exemplo, os juízes digam que não há perigo de fuga dos banqueiros apanhados nas teias da lei, havendo alguns que não fogem pois estão seguros da sua impunidade. Só fogem os que julgam não ter as mordomias necessárias e que, até sabem, que a sua alta importância social não os livra da prisão. Acabam, como sabemos, presos numa prisão sul-africana. onde correm perigos imensos, movendo então, se forem mesmo inteligentes, influências para que sejam extraditados para um país bem amigo deles, que é o nosso. Acreditam que aqui passam incólumes entre as malhas da justiça.

Não admira que muitos apregoem que a Justiça funciona pois há notícia de que alguns pequenos criminosos são julgados e vão parar à prisão. Aos grandes, diz o povo e com razão nada acontece, e, quem se dedica a estudar isto, informa em surdina que os processos se arrastam durante décadas, e só porque os juízes e procuradores nunca arranjam tempo para instruir os processos, e, quando o conseguem fazer, logo aparece um, que com verdade ou vontade de os ilibar, diz que está tudo errado.

Assim, ficamos sem a justiça e a verdade a que temos direito, sendo os votos de Bom Ano que agora possamos dizer um mero pró-forma. Por isso, ao nível autárquico, só têm problemas os que têm de obedecer a Ministros, que têm como único objetivo proteger empresas que pretendem ganhar muito dinheiro, e mesmo não tendo competência ou melhor dizendo boa gestão. Assim, um movimento espontâneo pode localmente levar um partido a quem tudo parecia correr bem a perder uma eleição.

Não admira que um amigo com quem quase nunca concordo, escreva com verdade que estamos perante um sinistro aparelho político-partidário. É o que agora afina as suas aparelhagens sonoras, para nos darem música e assim nos albardarem à sua vontade. Peçamos por isso conselho aos burros, que ainda restam neste nosso Interior, para atirar esta nossa incómoda albarda ao chão.

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