Os Ratos e o Grande Navio Roubado

Desde há umas semanas os portugueses têm sido confrontados com notícias contraditórias sobre a “Cosa Nostra”, que disseram liderada por Ricardo Espírito Santo Salgado. Começou com a informação de que quase todos os procuradores encarregados de ler os muitos elementos do processo tinham recusado este encargo.

Contrariando estas más notícias, começaram a surgir na imprensa diária várias informações sobre o Ministério Público ter ilibado o professor de Finanças Aníbal António Cavaco Silva por declarações feitas antes da resolução do BES, dando um sinal de que este o fez inconsciente das consequências que tiveram estas suas insensatas e dogmáticas afirmações. Mas, sabe-se que recebeu um donativo do BES.

Ilibou também o Banco de Portugal, mas o primo de Ricardo Espírito Santo Salgado, José Maria Ricciardi já tinha avisado dos muitos factos que indiciavam que estava tudo a correr mal e o Banco de Portugal, liderado por Carlos Costa não lhes deu a devida atenção. Nem sequer tomou em consideração os protestos bem audíveis dos lesados do BES. Antes dele, já se tinha comportado de modo desleixado Vítor Constâncio que, como prémio, foi enviado para o Banco Central Europeu, onde ninguém esperava que fizesse nada de aproveitável. E quanto ao Banco de Portugal nada de bom se espera.

É este turbilhão de notícias o resultado do confinamento dos juízes e dos procuradores durante este tempo pandémico. Cremos até que foi o confinamento que os levou a trabalhar mais e melhor neste processo do BES, logo aquele que faz qualquer dia seis anos, entalando nele muitos dos seus gestores mais qualificados.

Entretanto, os grandes gestores deste nosso Jardim litoralizado, que agora sabemos serem os ratos desta grande nau roubada e por agora em grande tormenta, entraram em processo de promoção, preparando-se para continuar carreiras de Estrelas decadentes, construídas com base em favores a partir de ligações aos partidos do bloco central, que os promoveram dentro da sua lógica de criadores de ilusões quanto a competências que se querem sempre brilhantes. Havendo até entre eles quem se diplomou em Chicago, que sabemos ser um alfobre de competências insuspeitas.

Um deles “esqueceu-se” por isso de indicar no seu curriculum vitae a sua ligação à triste história do Novo Banco, começando por isso a louvar Mário Centeno. Outro que lidera agora uma empresa portuguesa, que necessita de um resgate enorme está também entre os beneficiários dos sacos de várias cores do Ricardo Espírito Santo Salgado, que para tudo ser mais abrangente associou muitos funcionários do BES, que coagiu numa rede que lhe permitiu encher várias contas em muitos offshores, que são uma criação deste capitalismo canibalesco que lesa as finanças dos países e em particular a dos pobres.

Multiplicam-se por isso a lista de arguidos em que vemos netos dos homens importantes do salazarismo, que será talvez um antídoto contra esse passado tenebroso que alguns saudosos desejam que retorne. Mas, já existe contra estas ilusões o exemplo brasileiro de Jair Bolsonaro que usa o poder para distribuir benesses pelos filhos e amigos. Não admira que muitos se sintam em perigo, havendo até empresas que são arguidas em conjunto com os seus gestores, logo aqueles que a imprensa dos negócios cor-de-rosa douram conforme lhes parece ser necessário para que acreditemos que, com eles, veremos finalmente a luz ao fundo do túnel.

Sonhamos por essa razão em tempos de COVID com hospitais dotados de equipamentos e de pessoal qualificado bem remunerado.

Sonhamos também com escolas bem organizadas, onde os alunos e professores vivem felizes em turmas onde podem ter o necessário distanciamento social.

Mas, sabemos que tal não vai acontecer por o governo ter sempre que salvar empresas mal geridas, fazendo-o como sempre à custa de um povo humilde que logo fica carente de coletivos essenciais.

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