Padre Isidro…

O Padre Isidro foi pároco da cidade da Guarda, na época, das freguesias da Sé e de S. Vicente.

Pessoa com personalidade forte e decidida, não podia deixar, senão, uma boa recordação e marca na cidade da Guarda. Se mais não houvesse, a casa alpendorada existente no Largo do Espírito Santo continua a ser denominada com o seu nome, apesar dos muitos anos passados sobre a época em que ali residiu.

Anteriormente, terá sido como que um Patronato onde se desenvolviam várias atividades de jovens e adultos, nomeadamente récitas, catequese, etc. Até algumas aulas de pintura pela D. Julinha, pintora exímia, principalmente de fitas para os mais diversos fins. Quantas colheres de estudantes terão fitas dessas? É de recordar também os famosos, Padre Brás, fundador das Casas de Santa Zita e do mais tarde Cónego Sanches de Carvalho, que ali também promoveram atividades.

Com a vinda do Padre Isidro, esta casa foi transformada em residência e secretaria paroquial. O acesso deixou de ser livre, passando a ser precedido de toque na campainha e aguardar na ampla sala de espera. A visita à fonte de mergulho também foi suprimida, ou muito condicionada. A catequese passou a ser lecionada na Sé da Guarda.

Posso afirmar que tinha alguma afinidade com ele e sua família.

Além de residirmos perto, o que permitia vermo-nos com frequência, convidou-me um dia para ir ver os meus avós, residentes na Quinta da Malmedra, aquando duma deslocação às Lameirinhas, em serviço de visita a famílias carenciadas. O grande dia chegou e lá fui eu a usufruir andar naquele precioso veículo, autêntica “D. Elvira”, uma relíquia.

Fui batizado por ele, um pouco tarde, por razões familiares, frequentei a catequese com algumas peripécias pelo meio e fiz a Primeira Comunhão.

Como pároco, era humilde e virado para os mais carenciados. Pelo Natal e talvez Páscoa, mandava confecionar uns bolos na Cozinha Económica, onde inseria uma ou duas moedas de dez escudos, para serem distribuídos pelos mais necessitados.

Como filantropo, dirigiu com cuidado e sabedoria os donativos que na época eram recebidos da Cáritas Internacional.

Na sua vida familiar, tinha o apoio de uma irmã e mais tarde de uma sobrinha, a D. Inês.

A certa altura, recebeu a visita dum irmão do Brasil, que veio com a família. Por afinidade de idades e vizinhança, fui, digamos que, convidado para brincar com o sobrinho. Jogávamos o Mikado. Era uma novidade. Foi das poucas vezes que se viu a porta da casa virada para a Escola Primária, aberta.

Da visita do irmão, ficou o carro Volkswagen preto, que este tinha adquirido para se deslocar durante a estadia em Portugal. Terminou assim a vida da “D. Elvira” , do Padre Isidro.

Não posso deixar de referir os vários coadjutores que por ele passaram, nomeadamente o Padre Abílio e o famosíssimo Padre Victor Feitor Pinto.

Além destas afinidades havia ainda uma particularidade que nos unia. Não eram só os santinhos que oferecia, sempre que se ia visitar alguém, por este ou aquele motivo. Éramos idendipartários. Fazíamos anos no mesmo dia. Palavra de origem latina em que idem: idêntico, dien: dia, partun: nascimento, arius: data. Bons tempos em que os intelectuais inventavam palavras recorrendo ao latim. Agora, mesmo existindo termos em português, os pseudoconhecedores utilizam anglicanismos.

Por tão poucos terem tanto, é que tantos têm tão pouco.”, Eduardo Marinho

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