Partidos e autarcas contra o cancelamento da barragem de Girabolhos

O cancelamento da construção das barragens de Girabolhos, no rio Mondego, nos concelhos de Gouveia, Seia, Mangualde e Nelas, continua a merecer reacções por parte dos partidos políticos e autarcas.
Os autarcas de Nelas, Mangualde, Seia e Gouveia lamentaram que o Governo e o Grupo Endesa tenham cancelado a construção da barragem de Girabolhos e exigiram um conjunto de medidas de compensação para as comunidades. Num comunicado conjunto, os dois autarcas do distrito de Viseu e os dois autarcas do distrito da Guarda referem que expressaram a sua oposição a esta decisão do Governo, numa reunião na Segunda-feira com o ministro do Ambiente, secretário de Estado do Ambiente e Grupo Endesa. «Exigimos ao Governo e ao Grupo Endesa um conjunto de medidas de compensação para as comunidades atingidas com esta decisão, uma vez que durante décadas foram criadas altas expectativas sobre o projeto e constrangimentos inerentes a uma obra desta natureza e dimensão», alegam.
Os quatro autarcas dos distritos de Viseu e Guarda manifestam estranheza por, ao longo do processo de reavaliação do Plano Nacional de Barragens, não ter sido dada qualquer explicação aos municípios. No que respeita às expropriações por utilidade pública já efectuadas, bem como pelos trabalhos preparatórios de construção da barragem em curso, os quatro autarcas esperam que seja garantido que não se irá registar qualquer prejuízo para os proprietários em causa e que as comunidades não deixarão, com qualidade, de utilizar os acessos já concretizados.
A Hidromondego (empresa do Grupo Endesa) e o Estado português tinham assinado em Setembro de 2013 o contrato de concessão relativo ao Aproveitamento Hidroelétrico de Girabolhos, situado no rio Mondego, nos concelhos de Mangualde e Nelas (distrito de Viseu) e Gouveia e Seia (distrito da Guarda).
Previa-se que este aproveitamento hidroeléctrico fosse composto por duas barragens, funcionando em regime de reversibilidade, gerando energia elétrica suficiente para o abastecimento de aproximadamente de 250 mil famílias em Portugal.

PS, PSD e CDS também protestam
A Comissão Política Concelhia do PSD de Seia protestou contra o cancelamento da construção da barragem de Girabolhos, considerando tratar-se de um «duro golpe» para o desenvolvimento daquele concelho do distrito da Guarda. «Mais uma obra gorada, numa região já de si empobrecida e cujos investimentos escasseiam. Este duro golpe para o desenvolvimento do nosso concelho não pode ficar impune», refere o PSD de Seia em comunicado.
Para a concelhia social-democrata de Seia, a decisão é «inqualificável na forma e inaceitável no conteúdo, não respeitando entidades nem população». «Esta tomada de posição do Governo socialista e da maioria que o sustenta é incompreensível. Sejam quais forem as razões, estas têm de ser públicas», lê-se no comunicado intitulado «Tudo por água abaixo».
A direcção do PSD de Seia anuncia que vai solicitar uma reunião de acompanhamento com caráter de urgência à câmara municipal local, presidida pelo socialista Carlos Filipe Camelo para ter conhecimento «de expectáveis diligências efectuadas e com resultados manifestos».
Também a Comissão Política Concelhia do PS de Seia manifestou «mais veemente protesto» pela decisão do Governo de cancelar a construção da barragem de Girabolhos. «Depois de todo o desenvolvimento do processo, das expectativas criadas e das diligências feitas, bem como da salvaguarda dos impactos ambientais, consideramos esta decisão altamente penalizadora para o desenvolvimento do concelho de Seia, ao impedir a concretização do maior investimento alguma vez anunciado para esta região», refere o PS em nota de imprensa.
A concelhia refere que sempre esteve ao lado das populações «e nunca se inibiu de defender os interesses do concelho de Seia, independen-temente da cor política do Governo». Por isso, «não aceita esta decisão». Anuncia ainda que irá solicitar uma reunião, com carácter de urgência, a António Costa, secretário-geral do PS e primeiro-ministro, «de modo a esclarecer, cabalmente, uma decisão desta natureza, suas causas e consequências».
Os quatro deputados do PSD, incluindo os dois eleitos pelo círculo da Guarda, anunciaram que questionaram o Governo sobre o cancelamento da barragem de Girabolhos e que pediram documentação sobre a reavaliação do Plano Nacional de Barragens (PNB).
No requerimento enviado ao ministro do Ambiente através da Assembleia da República, os deputados Carlos Peixoto, Ângela Guerra, Berta Cabral e Jorge Paulo Oliveira, solicitam, uma vez mais, a documentação da reavaliação do PNB, bem como todos os estudos, nomeadamente de natureza ambiental, económica e financeira, que sustentam a reavaliação em causa.
Por seu lado, a Comissão Política Distrital do CDS-PP da Guarda veio afirmar, em comunicado, que considera de «muito negativa» a decisão do Governo. A estrutura partidária presidida por Henrique Monteiro refere que «regista como muito negativa para o distrito [da Guarda] a notícia do cancelamento da construção da barragem de Girabolhos por decisão do Governo do Partido Socialista».
Com o cancelamento do projecto, no entender da distrital da Guarda daquele partido, ficaram em causa a produção de energia eléctrica, o abastecimento de água, a regulação do caudal do rio Mondego, o aproveitamento turístico da albufeira e o desperdício dos recursos financeiros gastos nos trabalhos preparatórios já efectuados no terreno.

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