Passeios e participações

O fim de semana de Páscoa prolongado – em tempo e em sol – assumiu-se como a moldura perfeita para um qualquer passeio na nossa cidade.

Por isso movido, fui até à nossa Praça Luís de Camões sexta-feira. Aí chegado, e desde a entrada da Sé virada para ocidente, a visão que se tem contrastava com o bom espírito que o tempo – ou melhor, o clima – proporcionava. Ao olhar para a esquerda, vê-se a antiga Casa da Legião, em ruínas. À direita, o horizonte é dominado pela degradação de parte do edificado que constitui o limite oriental da Praça Velha, algum sem telhado e, aqui também, em ruínas.

Apesar da decadência destas estruturas fixas, a Praça Luís de Camões era nesse dia um espaço vivo, com gente, movimento e burburinho de fundo em vários idiomas.

Para isso contribuiu certamente a exposição Outros Mundos do estado-unidense Michael Benson, iniciativa muito interessante para jovens e menos jovens e que enche, de forma digna, a planta mais inferior da nossa icónica Praça até dia 1 de maio. Este dinamismo, ademais, tem tido regularidade, como atestam a Festa de acolhimento dos símbolos das Jornadas Mundiais da Juventude a 5 de março ou a I Resistência de BTT Cidade da Guarda a 2 de abril. Esperemos que, com a Primavera que antecede o Verão, se possa rentabilizar e dar ainda mais vida a este espaço.

Porém, mesmo para as estruturas fixas, há esperança justificada, dados os sinais recentes. Foi aprovada em reunião do executivo camarário, e por unanimidade, um processo inovador de consulta pública sobre o fim a destinar à antiga Casa da Legião. Para além de duas opções concretas, há ainda uma terceira via, em que qualquer indivíduo pode apresentar uma proposta própria sobre o fim a destinar ao espaço e ao edifício.

Se, em termos concretos, tem sido trazida gente à nossa Praça comum, também metaforicamente se estão a puxar os cidadãos para a Praça comum da Guarda, numa Ágora contemporânea e verdadeiramente participativa. Lançada a boa ideia, espera-se que seja bem divulgada e de processos simples, para que todos possam participar.

Mas, se o fim de semana de Páscoa prolongado – em tempo e em sol – se assumiu como a moldura perfeita para um qualquer passeio na nossa cidade, não menos o foi para um qualquer passeio no mundo rural.

Por isso também movido, fui até à aldeia do meu pai, Pousade, no sábado. Após dois anos de distanciamento e afastamento, foi extraordinário voltar a ver uma aldeia cheia de caras conhecidas, gente de quem se gosta e a que estamos habituados. Foi uma memória importante do que se foi desvanecendo pelas restrições impostas por tempos muito atípicos por causa da pandemia, mas também um lembrete do quão bons são estes lugares, sobretudo quando participados e que importa manter vivos.

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