Pinhel abre portas à “Ópera no Património”

O Município de Pinhel é um dos primeiros a acolher a iniciativa “O.P.(us) – Ópera no Património”, que resulta de uma parceria com outras autarquias da região Centro, abrindo portas a um ciclo de três anos de eventos de cariz operático associados ao património, à cultura e aos bens culturais dos territórios envolvidos.
A candidatura, recorde-se, apresentada em 2016, foi aprovada em meados deste ano, represen-tando um investimento de cerca de um milhão de euros. Além de Pinhel, integram este projecto os municípios de Leiria, Batalha, Viseu e Vila Nova de Foz Côa, assim como a Universidade de Coimbra. O programa arranca em 2017 e prolonga-se até 2019, contemplando a realização de perto de uma centena de espectáculos por ano.
Em Pinhel, o programa deste primeiro ano vai coincidir com a comemoração do feriado municipal, a 25 de Agosto, integrando a apresentação da Ópera “Carmen”, de Georges Bizet, uma das obras mais representadas de todos os tempos, assim como o “Requiem em Ré Menor”, de Mozart, além de um dia dedicado à Música de Câmara, adianta a Câmara em nota à imprensa.
Todos os espectáculos têm entrada livre e decorrem entre 24 e 27 do corrente.
A ópera “Carmen”, que se apresenta na Praça Sacadura Cabral às 21h30 dos dias 24 e 25 de Agosto, é uma tragédia moderna, baseada em factos supostamente verídicos mas muito romanceados baseados no conto homónimo de Prosper Merrimée, escritor, arqueólogo e senador francês coevo de Bizet.
A ópera foi um sucesso incrível apesar de uma estreia frouxa e de críticas ferozes, sobretudo motivadas por despeito ou por razões morais, pois não continha uma lição moral e a personagem principal era uma mulher cheia de vícios, segundo os escritos da época. Bizet não conseguiu ter tempo para saborear o sucesso que foi surgindo, tendo morrido três meses exactos depois da estreia, a 3 de Março de 1875.
Nietzsche, Wagner, Brahms ou Tchaikovsky apreciaram vivamente a ópera que trata dos amores da livre e leviana Carmen, uma bela cigana, que seduz um militar, D. José, para se conseguir libertar da prisão, após uma rixa de navalhada. Carmen depressa se farta do ciumento militar para o trocar por um vistoso toureador, Escamillo. Num acesso de raiva, de ciúme e de fúria homicida, D. José mata Carmen à navalhada, terminando assim a ópera, lê-se na nota.
Quanto ao seu criador, baptizado como Georges Bizet, como o conhecemos, mas registado como Alexandre César Léopold Bizet, compôs cerca de quinze óperas, umas inacabadas, outras nunca executadas até hoje, outras perdidas, porque mutiladas após a sua morte ou, então, por puro desleixo dos herdeiros. Apenas duas das suas óperas passaram ao cânone: Os Pescadores de Pérolas, composto no crepúsculo do seu Prémio de Roma e estreada em 1863, e Carmen, escrita no final da sua curtíssima vida, e estreada em 1875, ano da morte do compositor.
Já o Requiem de Mozart, a acontecer às 21h30 de dia 27 de Agosto, informa a nota à imprensa, é uma obra envolta em mistério devido ao desconhecimento preciso dos factos que rodearam a sua encomenda e da obra não ter sido terminada pela mão do compositor. A sua morte prematura, se não o são todas, impediu Mozart de concluir a partitura, realidade que terá sido agonizada pelo estado de saúde deplorável em que se encontrava e a falta de meios económicos em que a sua vida incorreu nos últimos anos. Por outro lado, estes factos, associados a esta obra ser uma missa de mortos, enaltecem o sentido trágico do Requiem, visto por muitos autores como um Requiem na primeira pessoa, ou seja, uma missa escrita para o funeral do próprio compositor, consciente de que o fim que se aproximava.
Dia 26 é dedicado à Música de Câmara, que pode ser ouvida em vários locais da cidade a horas diferentes: às 11h00 na Torre do Castelo (Grupo de Sopros), às 12h00 na Igreja de Santa Maria e às 17h00 no Museu Municipal (Quarteto de Cordas) e às 19h00 nos Claustros do antigo Convento de Santo António (Orquestra de Arcos).

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