Piscina fluvial na Barragem do Caldeirão

«Dar mais vida ao Caldeirão», é o que pretende a Câmara da Guarda ao querer instalar no espelho de água uma piscina fluvial e um centro náutico, em colaboração com as escolas do concelho. Por ainda não ter sido possível obter os necessários pareceres das entidades responsáveis, a autarquia apenas poderá agora concretizar uma parte do projecto, ou seja, instalar a piscina fluvial, que já foi adjudicada, a 13 de Julho, à empresa Pedro Nicolau de Almeida Barbosa por aproximadamente 137 mil euros.
E foi a falta de informação sobre este projecto que levou o vereador socialista Joaquim Carreira a criticar o executivo municipal, liderado pelos social-democrata Álvaro Amaro, tendo aproveitado para lembrar a classificação pouco favorável no ranking do ìndice de Transparência Municipal. «A autarquia não pode passar a ideia de que vai implementar um projecto náutico quando ainda nem pareceres tem», afirmou o eleito do PS, tendo Álvaro Amaro respondido que «tudo o que se decide na autarquia se deve dar conhecimento», acrescentando que «a única preocupação do vereador é querer ver os documentos para verificar se é legal». «Passa na cabeça de alguém, no mundo de hoje, que o executivo do Município da Guarda faça alguns inves-timentos sem ter a aprovação dos departamentos do Estado?, questionou, acabando por responder que «só na cabeça do vereador Joaquim Carreira».
Concretamente em relação ao projecto para a zona da barragem, o autarca esclareceu que «a instalação de uma piscina fluvial faz parte de um projecto mais vasto, que é um centro náutico, em colaboração com as escolas, mas até agora tem havido dificuldade na obtenção dos pareceres para a instalação do edifício». «E como é possível começar a executar o projecto por partes, ainda na metade deste Verão deverá estar a funcionar a piscina fluvial», afirmou, acrescen-tando que o projecto visa «dar mais vida ao Caldeirão, juntamente com os “Passadiços do Mondego”, cujo projecto está a ser elaborado por Fernando Domingues, um dos autores dos “Passadiços do Paiva”, em Arouca. Segundo o técnico responsável, o plano abrange as freguesias de Videmonte, Trinta e Vila Soeiro, contem-plando antigas fábricas de tecelagem e de produção de electricidade e moinhos, entre outros locais existentes nas margens do rio Mondego. O percurso integrará travessias de pontes, zonas de slide e zonas culturais e aproveitará grande parte dos caminhos já existentes. «Será um projecto caro», anunciou recentemente Álvaro Amaro, admitindo que a execução «custará sempre» entre 1,5 a dois milhões de euros. O autarca espera que, após a elaboração do projecto, este possa ser apoiado pelo Programa Portugal 2020, mas, se a autarquia não conseguir nenhum tipo de financia-mento, com recursos próprios, será capaz de «fazer uma parte» do percurso de 11 quilómetros de passadiços.

EDP chegou a querer construir
hotel nos estaleiros da barragem
do Caldeirão
Nos antigos estaleiros da EDP, próximo da barragem do Caldeirão, chegou a estar prevista a construção de um hotel rural, um projecto que a Câmara da Guarda até declarou, em Janeiro de 2010, como sendo de Interesse Municipal. «São cerca de oito hectares que estão na margem direita da Barragem, fora da área do Parque Natural da Serra da Estrela, que vão ser aproveitados», informava, na altura, o então presidente da autarquia, o socialista Joaquim Valente, adiantando que «isto vem na sequência de uma sensibilização que a autarquia fez à EDP».
A empresa chegou a apresentar um estudo prévio, que consta de pequenos apartamentos devidamente integrados na encosta, e um hotel rural. Seria a EDP a construir, desconhecendo-se quem deveria posteriormente explorar aquelas infraes-truturas.
Este projecto poderia ser a alavanca para o aproveita-mento da barragem do Caldeirão, uma pretensão que já vem sendo falada há muitos anos, tendo mesmo sido elaborado um plano de desenvolvimento local do vale do Mondego que visava a dinamização de actividades culturais, sociais, económicas e turísticas num grupo de freguesias do Vale do Mondego.
A optimização do espaço da Barragem do Caldeirão integrou a lista de promessas eleitorais de Maria do Carmo Borges na campanha para as autárquicas de 1997. Foi então elaborado um plano de desenvolvimento que abrangia as freguesias de Maçainhas, Corujeira, Fernão Joanes, Videmonte, Trinta, Meios, Vila Soeiro, Faia, Pêro Soares, Aldeia Viçosa e Misarela.
O documento preconizava linhas estratégicas para a intervenção nessas localidades «aproveitando as potenci-alidades que cada uma tem ao nível do património paisagístico e arquitectónico, gastronomia e produtos agrícolas». Apontava ainda algumas linhas de orientação para a execução de diversos projectos, bem como os mecanismos financeiros disponíveis a que se poderia recorrer para os concretizar, nomeadamente fundos comuni-tários. À Câmara Municipal caberia a constituição de um gabinete técnico para o acompanhamento do plano, a sua divulgação e o apoio à execução das infraestruturas públicas.
Mas o Plano de Desen-volvimento Local do Vale do Mondego não passou do papel. Por concretizar estão os anunciados projectos, a criação de um parque de campismo e a colocação de barcos à vela e a remo. Tudo ideias avançadas pela autarquia aquando da entrada em funcionamento da barragem, há cerca de 15 anos, nomeadamente pelo então vereador do pelouro das Águas e Saneamento, António Saraiva.
Em Julho de 2007, o executivo, que já era presidido por Joaquim Valente, mostrou a intenção de o implementar até ao final desse ano, com algumas alterações, consi-derando-o um projecto fundamental. A então vereadora do Turismo, Lurdes Saavedra, afirmou na altura que o documento foi adaptado à realidade actual e que seria candidatado ao próximo quadro comunitário [Quadro de Referência Estratégica Nacional – QREN].
Uma das principais alterações do projecto de requalificação da Barragem do Caldeirão para fins turísticos, desportivos e de lazer tinha a ver com «desportos radicais, com estruturas novas, com o turismo natureza», adiantou a então vereadora.
Lurdes Saavedra, que também era presidente da ProRaia – Associação de Desenvolvimento Integrado da Raia Centro Norte, anunciou depois que a associação conseguiu integrar o projecto para o aproveita-mento turístico da barragem numa candidatura ao QREN, mas deixou cair a possibilidade de transferir para ali o parque de campismo da Guarda e a remodelação do Parque Municipal. A ideia visava agora criar uma praia fluvial, uma piscina flutuante (amovível e com protecção), um parque de merendas, um parque verde com espécies autóctones, um percurso pedestre à volta da barragem e um cais para embarcações não motorizadas, de acordo com o previsto no contrato de comodato com a Redes Energéticas Nacionais (REN), uma vez que as águas são aproveitadas para consumo e produção de energia.
Certo é que, o aproveita-mento da envolvente da Barragem do Caldeirão para a localização de um empreendimento turístico constava da lista de projectos complementares do PROVERE – Serra da Estrela, Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos em territórios de baixa densidade, criado no âmbito do QREN. O plano de acção PROVERE contemplava acções relaciona-das com o turismo de natureza, de saúde e bem-estar, cultural e paisagístico e também dedica atenção ao relançamento das actividades tradicionais «em formatos economicamente viáveis».

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