Politécnicos consideram oportuno apelo de personalidades para alternativas à praxe

O presidente dos institutos politécnicos considera «bom» e «oportuno» o apelo lançado por 100 personalidades para criar «uma alternativa» à praxe, mas sublinhou que os dirigentes do Ensino Superior já têm essa preo-cupação, para evitar excessos.
Numa carta aberta, os subscritores pedem aos dirigentes das instituições do Ensino Superior que criem, «com carácter duradouro, actividades de receção e de integração dos novos estudantes e das novas estudantes (…) que configurem uma alternativa lúdica e formativa às iniciativas promovidas pelos grupos e organizações de praxe».
Comentando à agência Lusa o apelo feito na missiva, o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Joaquim Mourato, disse que «é oportuno», porque acontece perto do início de um novo ano e de novas colocações. «É bom haver uma carta que serve, no fundo, como alerta. Contudo, enquanto dirigente de uma instituição de Ensino Superior, devo dizer que temos tido essa preo-cupação», afirmou Joaquim Mourato.
Segundo o presidente dos politécnicos, as preocupações levantadas na carta têm sido vividas pelos dirigentes do Ensino Superior, que têm «procurado encontrar as ditas alternativas para uma boa integração dos estudantes». «Temos boas práticas nas diferentes instituições de Ensino Superior» para evitar «os excessos» que por vezes acontecem nas praxes académicas, disse. O objetivo é que «esses abusos não existam» e que existam «boas práticas de inte-gração».
Joaquim Mourato con-siderou «sempre bom este alerta vindo da sociedade, para as instituições», que é «essencialmente um recado para os estudantes» e «uma lembrança para os diri-gentes». «Contudo, penso que nenhum dirigente de uma instituição de ensino superior ignore as praxes académicas e a preocupação que possam levantar», sustentou.
Questionado pela Lusa sobre se os estudantes aceitam bem as alternativas propostas pelas instituições, Joaquim Mourato disse que o diálogo é «condição essencial» para que isso aconteça. «É fundamental que os dirigentes das instituições tenham um diálogo muito aberto e contínuo como as associações de estudantes e com quem dirige essas praxes académicas», explicou.
É no momento de planeamento das activi-dades, «com total abertura e com o acompanhamento contínuo por parte dos dirigentes das instituições, que tudo pode acontecer com maior normalidade, a bem dos estudantes e da sua integração», frisou. «Quando isso acontece, a proba-bilidade de tudo correr bem é muito elevada», rematou.

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