População e autarcas contestam instalação de refinaria de bagaço de azeitona em Trancoso

População e autarcas contestam a construção de uma refinaria de bagaço de azeitona nas proximidades da aldeia de Cogula, no concelho de Trancoso, mas a Câmara Municipal garante que ainda não existe qualquer pedido de licenciamento.

Segundo Vítor Pereira, um dos contestatários, a unidade está projectada para a freguesia de Valdujo, junto ao cruzamento com o ramal que dá acesso à aldeia de Cogula, uma área de terreno que «é limitado apenas a uso florestal». «Se a instalação de [uma] refinação de bagaço de azeitona, ou outra, se concretizar, será uma tremenda agressão ambiental e social, não só para a freguesia da Cogula, como para as freguesias contíguas, envenenando o ar que se respira, com a aldeia da Cogula, a mais próxima, e outros lugares em outras freguesias a ficarem ainda mais despovoados, com a qualidade de vida a regredir, os idosos e mais débeis a sofrer com o que não merecem, com mais doenças e que mais depressa nos vão deixar», denuncia Vítor Pereira à agência Lusa.

A concretizar-se a construção da unidade fabril vaticina que «as pessoas que têm amor à aldeia e querem lá continuar a sua vida e criar ali os seus filhos ficarão numa situação insuportável». No país, «há casos conhecidos» de refinarias de bagaço de azeitona e «de graves problemas de saúde e ambientais», alerta.

O responsável dirigiu uma carta ao presidente da Câmara de Trancoso, Amílcar Salvador, a apelar que «inicie os procedimentos necessários» à clarificação do caso e «que se confirme, inequivocamente, perante as populações, de que não é possível, nem admissível, a instalação da refinação de bagaço de azeitona, pelas implicações socio-ambientais a que será exposta a população e o ambiente, nas fortes consequências na saúde da população, dos próprios trabalhadores, na destruição e perda de biodiversidade, na contaminação dos recursos hídricos e da qualidade do ar».

No local, «são já visíveis, claramente, os grandes movimentos de terras efectuados, com a existência de um enorme talude» que «parece indiciar a escavação para eventuais lagoas», segundo Vítor Pereira.

O presidente do município de Trancoso assegurou à Lusa que nos serviços da autarquia, até ao momento, «não deu entrada qualquer pedido de licenciamento» para a zona em questão. «A Câmara Municipal estará atenta a qualquer tipo de projecto que pensem para ali. Seremos exigentes e estaremos na defesa do ambiente e das populações também. Neste momento, é prematuro falarmos do que quer que seja porque não deu entrada na Câmara Municipal qualquer pedido, qualquer projecto, sobre o que quer que fosse, relativamente a essa transformação do bagaço da azeitona», explicou Amílcar Salvador.

O autarca adiantou que no local já «houve, de facto, alguns movimentos de terra», mas o proprietário foi notificado para fazer o «pedido de licenciamento». «Quero continuar a reunir, a estar atento, quer com as populações, quer com as Juntas de Freguesia envolventes, nomeadamente Valdujo, Cótimos, Cogula e Vale do Seixo», referiu.

As Juntas de Freguesia «também já fizeram uma exposição» à Câmara Municipal de Trancoso sobre o assunto. «Seremos intransigentes no cumprimento de todas as normas ambientais do que quer que venha a ser» projectado, promete Amílcar Salvador.

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