Populi Musica de César Prata em estreia no TMG

César Prata estreia esta noite no Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda (TMG), o seu novo projecto: Populi Musica (Música do Povo), para ouvir a partir das 22h00. «É um trabalho que mistura recolhas da tradição oral portuguesa com outros sons do nosso tempo, nomeadamente e sobretudo electrónica. O fundamento e o pressuposto do trabalho é esse», descreve o músico guardense.
A ideia, explica, é fazer com que «uma música funcional como é a música tradicional que se cantava em determinadas ocasiões, por exemplo a lavrar, ou a tirar água, ou a ceifar, que são coisas que hoje já não se fazem e portanto não se canta, e como tal, como música funcional que é, perde-se, porque não se vai repetir porque já não se faz, e então é uma forma de trazer para o nosso tempo novamente essas canções e as pessoas as ouvirem e as conhecerem».
Resumindo, «é conciliar o tradicional com o nosso tempo» por forma chegar a diferentes públicos. «E para gerar curiosidade», afirma César Prata. «Acredito que haja muitas pessoas que não sabem que isto existe, pessoas que não estão tão ligadas à música tradicional não sabem que isto existe, e por este caminho poderão ficar com a curiosidade de ir ver afinal o que é que existe e o que é que há», destaca.
Quanto ao porquê do título do projecto, César Prata justifica-o com o facto de ser «o povo que se ouve naquelas recolhas». «Eu nas bases uso recolhas de [Michel] Giacometti [etnomusicólogo italiano], do [José Alberto] Sardinha [investigador de música tradicional], recolhas também minhas, portanto, é o povo que se vai ouvir, misturado com a electrónica, que é do nosso tempo. Estão ali coisas que à partida são de tempos diferentes e que não co-existiram», acrescenta.
César Prata irá tocar neste espectáculo canções recolhidas «do Algarve ao Minho». «Curiosamente não há nada das ilhas», diz a propósito, garantindo não ter sido propositado. «A escolha foi feita por canções que me agradaram, por música que me agradaram e calhou assim. O critério foi mesmo só esse, o gosto pessoal», justifica.
Sobre as expectativas para o concerto desta noite, César Prata não sabe o que responder já que «marcaram um jogo de futebol também para esse dia [Portugal-Polónia disputam hoje, a partir das 20h00, no Estádio Velodrome, em Marselha, um lugar nas meias-finais no Euro 2016, a decorrer em França]. «Não estava nas previsões quando o concerto foi marcado, mas acho que há pessoas que poderão estar interessadas em ir ao Café Concerto para ouvir», acredita.
«Isto também é um género musical que devido à electrónica é muito ritmado e portando noutros contextos, concerteza no Café Concerto não, mas noutros contextos, por exemplo de rua, poderá dar origem a dança», acrescenta.
César Prata fundou e dirigiu diversas associações culturais e trabalhou com inúmeras colectividades no âmbito da recolha do património imaterial. Criou e dirigiu diversos espectáculos. Orientou oficinas de formação na área da música.
O seu nome encontra-se ligado a inúmeros discos, quer como compositor, arranjador, criador, intérprete ou técnico, dos quais se destacam Chuchurumel, Assobio, Chukas (encomenda do IGESPAR para o Parque Arqueológico do Vale do Côa) e Ai!. Publicou cadernos sobre tradição oral. Compôs para teatro e cinema.
Integrado na colecção “a IELTsar se vai ao longe”, do IELT (Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa) editou, em Dezembro de 2010, “Canções de cordel”.
Em Novembro de 2013 estreou Ai!, o seu novo projecto musical, e em Fevereiro de 2014 editou “Futuras Instalações”, o seu CD mais recente a solo. Em Junho de 2015 apresentou o segundo disco de Ai!, “Lavra, boi, lavra”, lê-se na sua biografia.
Desenvolveu, em parceria com Suzete Marques, “Ouvir Ontem” (levantamento e tratamento do património imaterial do concelho de Pinhel). O projecto, que teve início em Julho de 2014, foi recentemente concluído e entregue à Câmara de Pinhel, «proprietária dessa informação, que fará com ela o que bem entender», revela. Trata-se de «um disco de computador com as recolhas todas – áudio, vídeo, fotografias, e também o tratamento dessa informação do ponto de vista arquivístico para permitir a pesquisa», define César Prata.

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