Por uma TAP que não desuna

Na véspera do S. João um desses gestores muito competentes, mais propriamente Antonoaldo Neves disse que a TAP precisa de ajuda e reforçando esta ideia o presidente executivo da TAP disse que a transportadora portuguesa foi uma das poucas na Europa que ainda não recebeu ajuda do Estado. Concluindo que “A preocupação é unir o país para salvar a TAP.” (Ver https://sicnoticias.pt/economia/2020-06-23-Presidente-executivo-da-TAP-pede-que-o-pais-se-una-para-salvar-a-companhia-aerea?, acesso em 23 de junho de 2020), mas a seguir só disse coisas que desuniam o país.

Antes, em 2014, um desses gestores muito competentes fartou-se de cancelar voos com objetivos que nunca esclareceu, concluindo que era preciso vendê-la por 10 milhões a uma empresa privada muito competente, mas agora, demonstrada que está a falha geral dos capitalistas a quem a venderam, pede-se ajuda do Estado, afirmando ao mesmo tempo que é preciso unir o País para a salvar. Ficou assim completamente demonstrado que a privatização da TAP nada de bom lhe trouxe. E este gestor não tem grandes ideias, sendo ridícula esta sua preocupação pois só pede dinheiro e nada mostra como ideia válida de gestão. Bem pelo contrário quer engarrafar o aeroporto Humberto Delgado que até já está sobrecarregado. Sabemos.

Soube tudo isto quando fui a Londres em 2014 e sofri um cancelamento do voo que me fez perder uma parte importante de um congresso. E como estavam nele muitos amigos brasileiros, senti através dos seus desabafos a sua frustração com tanta falha. Desta forma, lá conseguiram vender a TAP bem barata a gente que a levou agora a pedir uma ajuda de Estado bem grande e do tamanho da sua incapacidade de fazer coisa acertada.

Quer a TAP aproveitar agora o facto de o Estado ter propensão a salvar empresas grandes, onde a má gestão é notória, fazendo com os políticos dos partidos comandantes acordos em que o Orçamento Geral do Estado cobre tudo o que querem, sugando e deixando sem cheta os contribuintes e em particular as Micro, Pequenas e Médias empresas. São estas que o Estado, de pouca Providência deixa entregue à falência, dizendo ser sempre um sacrifício necessário. E não é. É só um viver desumano conseguido por enganos vários. Vemos só que era bem melhor não fazerem sacrifícios e vivermos todos bem. Era só preciso entregar a vara do mando a quem a sabe usar. Mas, entregaram-na a um vilão? E só o souberam quando lhe puseram a vara na mão? Diz sabiamente o nosso Povo. Fizeram tudo mal. Vimos.

Tudo fazem agora os Homens da TAP para desunir o país, tratando uma parte dele como filha querida e outra como enteada desprezada. Fazem-no enquanto exigem receber o que uma parte dele precisa para continuar a viver frugalmente. Nem sequer olham ou pressentem que muitos portugueses vivem vidas difíceis e que o Estado tem de os apoiar se quiser manter a habitual paz social. Na verdade, os portugueses já suportam muitas grandes empresas, cujo contributo para a riqueza nacional é nulo se não for negativo. Têm por isso os portugueses de pensar se a vida que levam é aceitável.

Tudo nos revela um modo de viver que nada tem de lógico nem de humano. E bem espremido, todo este raciocínio, com que nos tentam enganar é pura balela de gente vil que só quer viver à custa da gente crédula. E isso é algo que não podemos aceitar nem para os outros nem para nós. Temos necessariamente de ter objetivos nacionais que nos unam, o que implica que não se sobrecarreguem os mais fracos e se reparta a riqueza criada de modo justo e equitativo.

É o que uma política continuada de resgates, que são só de empresas grandes mal geridas não permite.

Temos de ter isso em conta quando analisamos esta descontrolada nova normalidade, que mais não quer ser que a continuação da velha normalidade.

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