Portugal pode vir a destacar-se na produção de lítio e a Guarda deverá fazer parte da rota de exploração

Portugal pode vir a assumir um papel de destaque no panorama ao nível da produção de lítio e a zona da Guarda poderá fazer parte dessa rota, uma vez que é uma das nove regiões com ocorrências de mine-ralização e onde actualmente é explo-rado aquele minério. O Grupo de Trabalho criado para avaliar as potencialidades de Portugal na produção de lítio sugere a criação de um cluster.

Portugal pode vir a ter um papel de des-taque no panorama mundial ao nível da produção de lítio, um mineral cuja importância tem vindo a aumentar devido ao crescimento do mercado dos veículos eléctricos. Esta é uma das conclusões do relatório do Grupo de Trabalho criado pelo governo para avaliar as potencialidades de Portugal na produção de lítio. Mas esta é uma oportunidade que só poderá ser aproveitada se o país conseguir superar alguns desafios. De acordo com o relatório a que o jornal Público teve acesso, o principal desafio é encontrar um processo de transformação do lítio para que possa ser feito à escala industrial e que seja economicamente rentável. Este mineral não é encontrado em estado puro, na natureza, mas precisa de um grau de pureza de 99,5% para poder ser usado em baterias para veículos eléctricos. A extracção de lítio como a que se faz em Portugal é mais cara.
A zona da Guarda deverá fazer parte desta rota da exploração do lítio, uma vez que é uma das nove regiões onde a presença do lítio está identificada. Aliás, existe uma exploração na freguesia de Gonçalo, na zona de Seixo Amarelo. De acordo com o grupo de trabalho, as zonas que se conhecem estão entre Caminha, no Alto Minho, até Idanha-a-Nova, na Beira Baixa. Estão encaixadas ou em rochas graníticas (sobretudo no caso da Guarda) ou em rochas metassedimentares. O relatório documenta as características de cada uma destas jazidas, fazendo a ressalva que os teores apontados se referem a diversos tipos de minérios cujas especificidades próprias de cada um condicionam a rentabilidade de eventuais aproveitamentos para a produção de lítio. Citando o documento, o jornal Público aponta alguns exemplos: para a região do Barroso/Alvão são apresentados 14 milhões de toneladas de minério com um teor médio de 1 por cento, como recurso inferido; para o campo do Seixo Amarelo/Gonçalo, na região da Guarda, foram estimadas 1,4 milhões de toneladas com um teor médio de 0,42 por cento, este já classificado como recurso medido. Para a região de Argemela, cerca de 20,1 milhões de toneladas com 0,4 por cento, como recursos inferido, e estima-se a existência de um jazigo de mais de 200 milhões de toneladas de minério, com teor de 0,4 por cento.
Há já algum tempo que Portugal é reconhecido como uma potência neste mineral, sendo inclusive um dos poucos países da Europa que consegue integrar o top dez dos maiores produtores mundiais de lítio.
As previsões, cada vez mais sustentadas, de que a mobilidade eléctrica vai dominar os transportes num futuro próximo acelerou este interesse. Só em 2016 deram entrada nos serviços da DGEG 30 pedidos de direito de prospecção e pesquisa de lítio, como substância mineral principal, correspondendo no conjunto a cerca de 3,8 milhões de euros de investimento proposto para uma área total de 2500 quilómetros quadrados. O facto da Tesla, um dos principais fabricantes de veículos eléctricos, ter manifestado interesse em construir uma nova fábrica na Europa, também fez evidenciar a importância da produção de lítio.
O relatório para a avaliar as potencialidades do país ao nível do lítio foi encomendado pelo secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches, final do ano de 2016, ao conjunto de entidades públicas que têm intervenção no sector mineiro, como a Direcção geral de Energia e Geologia, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia e a Empresa de Desenvolvimento Mineiro, e ainda as associações Assimagra – Recursos Minerais e da Associação Nacional das Indústrias Extractivas e Transformadoras.

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