Povo, Poder e Prejuízos

A Pandemia veio clarificar de modo eloquente e até muito claro como o povo é prejudicado pelo exercício negligente e perverso do poder, resultando daí prejuízos para todos, mesmo para os que eram até aí os mais favorecidos entre os da classe média. Os mais ricos socorrem-se das suas ligações ao poder para ganharem mais e nada perderem.

A pandemia veio expor de modo muito claro como o negócio que foi bem orquestrado da privatização da TAP por Pedro Passos Coelho, usando o seu poder já no final da sua desastrosa governação, era um erro grosseiro, já que assim a entregou a um capitalista estrangeiro e a um capitalista nacional, que nunca conseguiram mostrar que conseguiam ganhar dinheiro com ela. Como agora não conseguiram que esta fosse sendo sucessivamente resgatada apesar de todos os prejuízos, o estrangeiro foi-se embora, ficando só o português. Ficou como lição que esta privatização colocou em risco as externalidades positivas na economia portuguesa, esperando-se agora que esta recupere.

Também os “brilhantes economistas”, que impuseram a sua privatização, mostraram que era bluff a invocação da sua competência e frágil o ensino que receberam.

A lógica do negócio era privatizar lucros, pedir resgates logo que houvesse prejuízos e dar prémios aos gestores sempre, fazendo com que toda a energia da nação fosse devotada à exploração do povo e quase nada à criação de riqueza como o sublinha Joseph Stiglitz em 2019 em People, Power and Profits (Penguin Books). Ficámos assim na situação difícil de termos que resgatar a TAP com 1200 milhões de euros, como resultado desta absurda decisão política no estertor do Governo de Passos e Cristas.

Integra-se esta nossa malévola forma de fazer política naquilo que Stiglitz critica como falhas na finança que provocam mal-estar na economia, sendo isso o que acontece tanto nos Estados Unidos da América como entre nós. O problema são as teorias económicas abstrusas provenientes de Chicago e dos seus economistas que, esquecendo Adam Smith, vão fazendo com que o mundo fique mais pobre e até mais perigoso.

E assim ninguém agora fala das estranhas opções políticas, que fizeram com que a TAP e o Novo Banco se transformassem em sorvedouros de dinheiro, pois os seus gestores por más artes e por péssima incompetência nos agrilhoam aos seus atos de gestão, tornados tirânicos por força do seu poder nos mercados em que atuam.

Agrava tudo o mau uso da tecnologia e da Inteligência Artificial, que permite usar de forma manipuladora os muitos dados recolhidos para “eleger” líderes, que só agravam os problemas tal como os sofrem o Brasil e os EUA.

Está tudo agora agravado pelo estado pandémico em que vivemos que, provavelmente, se vai transformar numa endemia por ninguém se por a disciplinar os indisciplinados, que querem fazer o que querem sem olhar aos interesses dos outros que com eles partilham as ruas, equipamentos e os edifícios que necessariamente usamos. Para complicar alguns senhores dos monopólios dos transportes coletivos da Grande Lisboa, restringem a oferta e obrigam muitos a viajar sem as condições que a DGS recomenda, agravando na Capital os efeitos da COVID 19 que por efeito das migrações internas alastram pelo nosso Interior Periférico. E que, em Lisboa e Vale do Tejo, evidenciam como as más condições de vida dos trabalhadores tornam perigosa a vida de todos.

Torna-se assim necessário reconstruir as formas democráticas que parecem funcionar mal, necessitando de uma reorganização das suas formas de funcionamento para que todos os homens tenham uma vida decente, algo que por agora se tornou improvável por força de uma ideologia afirmada como ciência para justificar o injustificável.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

O website do Terras da Beira utiliza cookies para melhorar e personalizar a sua experiência de navegação. Ao continuar a navegar está a consentir a utilização de cookies Mais informação

The cookie settings on this website are set to "allow cookies" to give you the best browsing experience possible. If you continue to use this website without changing your cookie settings or you click "Accept" below then you are consenting to this.

Close