Presidenciais 2021

Realizaram-se mais umas eleições, desta vez para a escolha do Presidente da República, o supremo magistrado da nação.

Eleições um pouco sui generis, uma vez que, praticamente não havia incerteza sobre quem seria o escolhido. A grande dúvida seria quanto ao número de abstenções. Mais uma vez os diagnósticos falharam, visto que, felizmente, ficaram aquém do previsto, apesar de todas as dificuldades existentes para a realização de tão nobre ato.

Os eleitores corresponderam, comparecendo em razoável número, maior do que as previsões apontavam. Em abono da verdade, o bom tempo também ajudou.

Para superar as contrariedades, nomeadamente as motivadas pela existência dum ponto crítico da pandemia provocada pelo covid 19, houve em todo o lado, de Norte a Sul do país, uma resposta das autoridades que supervisionaram mais este ato eleitoral, que se pode classificar de impecável.

Houve uma brilhante organização em toda a montagem da operação eleições. Estava tudo previsto, tudo bem planificado e, melhor ainda, muito bem executado. Que esta boa organização se mantenha. Dignifica o ato eleitoral e demostra uma capacidade instalada, capaz de pôr em prática muitas outras grandes atividades.

Bom momento para mencionar o que é a capacidade de viabilizar o nosso país. Os portugueses, só têm de fazer bem o que sabem fazer bem, mas sempre bem.

Os partidos políticos, praticamente estiveram ausentes deste processo, quiçá mais preocupados com a preparação para as próximas eleições que se aproximam. Ainda ocorrerão este ano. As autárquicas 2021.

As eleições autárquicas são as que verdadeiramente afirmam e até confirmam a real existência desses mesmos partidos políticos.

As próximas eleições autárquicas irão, mais uma vez, ter lugar sob um sistema legislativo obsoleto e que unicamente após a sua realização, é falada a necessidade de a rever. A mudança ocorrida no número de freguesias foi notoriamente insuficiente.

Palavras que o vento leva, não passando de simples retórica, justificativa das próprias fraquezas. O atual sistema agrada aos diversos partidos que após a digladiação eleitoral, todos continuam com um sistema que lhes agrada, mas que não serve os cidadãos. Veja-se o elevado número de autarcas, cada vez maior, que são acusados de corrupção. Poucos serão condenados, tal é o sistema judicial que protege mais os infratores do que as vítimas. Neste caso as vítimas são a massa anónima dos cidadãos e como tal, a contestação praticamente não existe.

Se para as próximas eleições, as autárquicas 2021, não haverá alterações, espera-se, ou melhor, deseja-se que no rescaldo das atuais presidenciais 2021, haja uma reflexão que provoque algumas mudanças com repercussão real nas legislativas, a nível de representatividade dos distritos.

O abandono a que mais de metade do país está votado e que se manifestou nas urnas, poderá começar a ser superado, por exemplo, pela redistribuição do número de deputados, diminuindo os eleitos por Lisboa e estabelecendo um mínimo de quatro ou cinco deputados por cada distrito. Conjuntamente com uma diminuição de deputados na Assembleia da República, seria ouro sobre azul.

Três deputados a representar um distrito, é fazer pouco dos que persistem e querem continuar a viver no interior. Retira importância e representatividade territorial.

Por algum lado tem de se começar e como em tudo, o exemplo vindo das entidades que têm mais responsabilidades é natural e só as dignifica. Sejam os partidos políticos capazes de contribuir para diminuir as assimetrias regionais.

Algo tem de ser feito.

Nada voltará a ser como dantes. Mas tudo pode ser melhor como nunca foi”, Jhone Remidif

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