Presidente do IPG não se revê na posição dos conselhos gerais que defendem doutoramentos nos politécnicos

O presidente do Instituto Politécnico da Guarda, Constantino Rei, não se revê na posição dos dirigentes dos conselhos gerais dos politécnicos que insistem na necessidade de estas instituições outorgarem doutoramento e defendem também a possibilidade de passarem a usar a designação internacional de «university of applied sciences» (universidade de ciências aplicadas). O presidente do IPG entende que há outras prioridades e que os problemas dos politécnicos são «mais vastos» do que as duas questões recentemente debatidas e que foram abordadas num encontro em Lisboa para o qual foi convidado o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Constantino Rei realça que a maioria dos politécnicos não reúne os requisitos para leccionar aquele grau, exigidos pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3Es) e que na melhor das hipóteses conseguia-se aprovar «um ou dois doutoramentos». O dirigente da Guarda, que já fez saber a sua posição junto dos congéneres, sustenta que não será isso que vai resolver os problemas dos politécnicos.
Apesar da sua posição pessoal, Constantino Rei não colocou qualquer objecção à participação do presidente do Conselho Geral do IPG, José Alves, nos dois encontros realizados. José Alves não terá estado presente no encontro com Marcelo Rebelo de Sousa por estar em curso o processo de constituição do novo Conselho Geral.
Com o encontro com o presidente da República, os dirigentes dos conselhos gerais pretenderam demonstrar o contributo dos institutos superiores politécnicos para o desenvolvimento do país. As propostas foram já transmitidas aos governos nas legislaturas anteriores e levadas ao parlamento este mês. Actualmente, apenas as universidades podem conferir o grau académico de Doutor, estando os politécnicos mais vocacionados para um ensino de mais prático.
O encontro contou também com a presença do ex-ministro da Educação Eduardo Marçal Grilo, o presidente da Câmara de Castelo Branco Joaquim Morão, bem como representantes da Agência A3Es e de empresas. «Os conselhos gerais pretendem, acima de tudo, pôr a discussão na ordem do dia, questionar e debater qual a melhor solução para o país», adiantou ao Diário de Notícias, Pedro Lourtie, presidente do conselho geral do Politécnico de Leiria. Segundo o também representante dos presidentes dos conselhos gerais dos politécnicos a diferenciação dos sistemas de ensino superior em Portugal faz-se, neste momento, «essencialmente pela possibilidade legal de concessão de doutoramentos e pelo acesso a determinados financiamentos, além da questão da designação, que internacionalmente não é entendida, e penaliza os politécnicos portugueses». «É importante para a internacionalização, para captar alunos internacionais e para a realização de parcerias entre instituições. Nos países com sistemas binários é assim que são designados e isso ajudava a clarificar», acrescentou Pedro Lourtie. A designação de universidade de ciências aplicadas é a designação usada pela Associação Europeia de Instituições de Ensino Superior e em países como a Alemanha ou a Suécia. A questão dos doutoramentos é também «uma evolução natural que está a acontecer na Europa. Recentemente foi a Alemanha que evoluiu nesse sentido». Pedro Lourtie acredita que esta é uma penalização para os politécnicos, que deviam ter autorização para conceder grau de doutor, mediante a avaliação da agência de acreditação do ensino superior (A3ES). Os conselhos gerais divulgaram uma tomada de posição há um mês em que defendiam estas duas alterações ao subsistema politécnico.

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