Produtor pede responsabilidades à Câmara da Guarda pelos prejuízos causados pelo incêndio do Rochoso

Um produtor lesado pelo incêndio que em Julho deflagrou no Rochoso, no concelho da Guarda, e se estendeu aos concelhos de Pinhel e do Sabugal, está a pedir responsabilidades à Câmara Municipal da Guarda e à empresa que por esses dias estava a fazer limpeza das bermas da estrada naquela zona. Joaquim Vargas, proprietário da empresa Ponto Mais Alto – Exploração Pecuária Lda, no Rochoso, já fez chegar uma exposição à autarquia e à empresa sobre os prejuízos causados pelo fogo pedindo responsabilidades pelo sucedido. Enviou também uma exposição à GNR da Guarda, entidade que lhe indicou o número do processo aberto no Tribunal da Guarda sobre o incêndio que os lesados poderão consultar. O produtor teve vários prejuízos nomeadamente destruição de pastos, floresta e activos fixos tangíveis os quais irá processar via judicial para poder ser indemnizado.
Joaquim Vargas considera que por «acção ou omissão as entidades oficiais deveriam ter proibido esses trabalhos nesta época do ano». «Eu próprio, no passado, vendo trabalhos semelhantes a serem feitos nesta época contactei a Protecção Civil e os mesmos foram interrompidos. Não há portanto desculpas por parte das entidades que nos governam».
Nas missivas que enviou, Joaquim Vargas defende que o incêndio terá sido causado «por negligência humana» no decorrer de limpeza de bermas da estrada municipal que serve o Rochoso. «No referido dia [17 de Julho] estavam temperaturas superiores a 30 graus e aviso laranja da Protecção Civil. Utilizando meios mecânicos era previsível, para o simples cidadão comum, que a probabilidade de provocar incêndios era elevada», sustenta. Joaquim Vargas lembra que «os maiores incêndios desta zona foram provocados utilizando os mesmos equipamentos» e recorda o fogo de Famalicão da Serra onde morreram seis operacionais. O produtor pede à Câmara da Guarda e à empresa que procedia à limpeza das bermas ao serviço da autarquia, a Floponor para que assumam «a responsabilidade» do sinistro ou que indiquem a apólice do seguro onde possa «reclamar os danos» e as entidades a quem recorrer para reclamar. Joaquim Vargas conta ainda já ter sido abordado por vários produtores para avançar com acções conjuntas em tribunal.
Da empresa Floponor recebeu uma carta na qual a administração refuta «veemente» as afirmações e acusações que Joaquim Vargas imputa à empresa. «Por isso jamais poderemos assumir quaisquer responsabilidades quanto aos danos que invoca ou de qualquer outro proprietário que tenha ficado lesado na sequência do referido incêndio». A empresa, com sede em Trancoso, acrescenta que desconhece e não é obrigada a conhecer as causas que estão subjacentes ao referido incêndio. «Porquanto somos alheios a este ou qualquer outro sendo que em nada contribuímos para a sua verificação, nem isso logrou provado por quem quer que fosse», lê-se na resposta enviada a Joaquim Vargas. Da Câmara Municipal da Guarda ainda não obteve qualquer resposta.
Entre os prejuízos está uma vedação de 7,5 quilómetros «de acordo com medição feita no Google Maps», um pinhal de aproximadamente 10617 metros quadrados com pinhos plantados em 1997, «que se encontram junto ao armazém com a finalidade de servirem de sombra aos animais», 26 rolos de feno ceifados e enfardados que «se encontravam espalhados em diversos terrenos que ainda não tinham sido recolhidos» e «as vedações constituídas por vigas de cimento que não sofreram qualquer problema, mas o arame farpado com a temperatura ficou destemperado e terá de ser substituído nos próximos meses».

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