Projecto Life Rupis apresentado oficialmente  no Posto de Turismo de Barca d’Alva

Quase um ano após o seu arranque no terreno, o Life Rupis – Conservação do britango e da águia-perdigueira no vale do rio Douro foi apresentado oficialmente Quinta-feira passada no Salão do Posto de Turismo de Barca d’Alva, no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, com a presença da secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos.
Com a duração de 4 anos, o projecto, co-financiado pela União Europeia, através do programa LIFE, e iniciado em Julho passado, é coordenado pela Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Este decorre em território português e espanhol, mais concretamente nas áreas protegidas do Douro Internacional e Vale do Rio Águeda e dos Arribes del Duero, e pretende implementar acções que visam reforçar as populações das referidas espécies, através da redução da sua mortalidade e do aumento do seu sucesso reprodutor.
O abutre-preto e o milhafre-real são espécies que também irão beneficiar das acções do Life Rupis, que envolve nove parceiros: um internacional, dois espanhóis e seis portugueses. A ATN – Associação Transumância e Natureza, com sede em Figueira de Castelo Rodrigo, é um deles, tendo sido financiado em cerca de 850 mil euros.
Grande parte do trabalho desenvolvido por esta entidade até ao primeiro semestre deste ano tem sido, basicamente, a preparação de planos de acção e das metodologias de amostragem, que só muito recentemente começaram a concretizar.
«O projecto entra agora numa fase muito interessante», afirma Alice Gama, gestora do Life Rupis na ATN. «Estamos em pleno período de nidificação das grandes aves de rapina e também das espécies alvo deste projecto, o britango e a águia-de-bonelli [águia-perdigueira]», concretiza, revelando que «começam a ser desenvolvidas no terreno algumas acções práticas de conservação», que «é nisso que nos estamos a focar neste momento».
Especificamente para o britango, foram reactivados «três dos campos de alimentação para aves necrófagas, que já existiam mas que estavam por utilizar e por legalizar, um deles no concelho de Figueira de Castelo Rodrigo, na freguesia de Almofala». «Normal-mente o que se faz para esta espécie é fornecer pedaços pequenos de alimento. O que significa que nos apoiamos no fornecimento de alguns restos de talhos ou de outro tipo de infra-estruturas desse género que podem fornecer algum alimento que não é consumido por nós», explica Alice Gama.
Está ainda a ser elaborada «uma rede de parceiros produtores pecuários que possam fornecer algumas carcaças quando houver morte de algum animal, um ovino ou um caprino, especialmente até aos 18 meses, para que esses cadáveres em vez de serem transportados para incineração, tal como prevê a lei, sejam depositados nestes campos de alimentação e apoiem a alimentação do Abutre do Egipto».
É que «para além da diminuição da quantidade de gado doméstico existente na região», a legislação europeia «eliminou a possibilidade dos produtores pecuários deixarem as carcaças no terreno dentro da própria exploração».
«A legislação já foi alterada precisamente para prever que nas áreas europeias em que existem populações de abutres seja permitido o abandono de algumas carcaças para alimentação das aves necrófagas», nomeadamente em Espanha, «mas em Portugal estamos muito longe da legislação ser alterada», lamenta a bióloga.
Daí que, dado que «os alimentadores são uma estratégia de emergência mas não são a solução ideal no futuro», que o segundo passo do projecto seja «sensibilizar as autoridades, nomeadamente a Direcção-geral de Alimentação e Veterinária, para a necessidade de começar pelo menos a testar novos métodos de reposição e tentar ver de que maneira é que poderíamos permitir aos produtores pecuários deixar algumas carcaças no terreno em áreas que sejam críticas para a conservação destas aves».
No caso da águia-perdigueira, «estamos numa fase de estudar o estado das populações de espécie presa». «Temos feito várias épocas de monitorização, tanto da perdiz vermelha como do coelho bravo, e vamos fazer durante o próximo Inverno a monito-rização das populações de pombo das rochas, as três principais espécies presa, e com base nesses dados já temos uma perspectiva clara no terreno de quais são as áreas em que é necessário fazer a gestão de habitat», adianta Alice Gama.
GM

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