Propósitos de Ano Novo

Manda a tradição que, quando chega um Novo Ano, prometamos que vamos ser melhores e que não repitamos os erros do Passado. Mas, este ano queremos apenas que não haja Pandemia, e nada dizemos sobre o queremos fazer melhor. Nem os comandantes da nossa vida coletiva mostram arrependimento, nem a mínima vontade de arrepiar caminho e de deixarem de cometer os pecados habituais.

Olhamos em volta e vemos como os problemas antigos se agravaram com as soluções dogmáticas, que os poderosos aplicaram vesgamente na solução dos seus problemas, agravando sempre os problemas da Grei.

Aconteceu quando há cerca de seis anos, tudo fizeram para degradar a TAP para a conseguirem vender por tuta e meia a um capitalista nacional e a um capitalista internacional, numa venda forçada por um Secretário de Estado dos Transportes do Governo Passos Coelho/Cristas, muito falado então, cujo nome é agora desconhecido por força da manipulação informativa que vivemos e que habilmente o torna desconhecido. Era também o encarregado de vender o Novo Banco, uma cratera financeira para tem ido muito do dinheiro que falta na Saúde, na Educação e nos etc.

Aproveito agora para lançar os meus leitores na pesquisa do nome deste economista, que comprova como as Escolas de Economia indígenas funcionam mesmo muito mal pois nem sequer chumbam quem tão pouco sabe de Economia.

Desaparecidos estes capitalistas que tentaram a sua sorte grande na TAP, somos agora confrontados com a discussão sobre o peso enorme da sua recuperação, aventando-se a hipótese de ser lançada na insolvência como solução final e única.

Tudo resulta da ficção de que a gestão privada é sempre melhor que a pública, algo que os governos neoliberais impõem como verdade que a realidade refuta.

Nem sequer isso é culpa das Escolas de Economia, já que nem sequer chegam a ensinar que as grandes empresas têm contra elas a sua excessiva dimensão como aconselhava Adam Smith, sendo por isso preferível ter uma dimensão menor e mais adequada à capacidade de gestão dos seus administradores, que é sempre escassa como a realidade bem comprova. Só o enviesamento ideológico as impõe. Nem sequer pensam que o “overtrading” pode ser um mal pois com ele as empresas ultrapassam a dimensão ótima, passando a perder dinheiro.

Pensam também os governos em reformas em que uns poucos ganham e quase todos perdem, manipulando sempre muito bem as consciências para conseguirem “os consensos” abstrusos que as possibilitam. Nem sequer respeitam os princípios prudentes resultantes da Ideia do Ótimo de Pareto, que corresponde a uma afetação de recursos aos agentes económicos a partir da qual não existe nenhuma reafectação possível que seja preferida por um indivíduo e não implique a perda de bem-estar de um outro. 

E por isso não é por acaso que este saber está esquecido.

Serve mesmo para que não saibamos alicerçar o nosso raciocínio e rebater ideias abstrusas, que a experiência passada mostrou serem erróneas. Também sei por dolorosa experiência própria como se ocultam para sempre os dados sobre como foi difícil o nosso passado, mostrando isso a importância dos diversos arquivos. Na sua ausência é difícil descrever neste último caso o que perdemos com o seu desaparecimento. Assim, quando se quer esquecer definitivamente algo, alguns destroem violentamente arquivos, já que a nossa memória se esvai e muitos preconizam como cura da dor o luto perpétuo.

Mas isso empobrece-nos e leva-nos a repetir más experiências.

Registar o passado é o melhor antídoto contra a dor evitável e isso vale também para ultrapassar esta pandemia que nos embota a sensibilidade.

Estudemos por isso o passado.

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