«O PSD fez tábua rasa da ética entre os partidos»

O CDS do distrito da Guarda entendeu pôr um ponto final nas negociações com o PSD que visavam a criação de coligações em vários concelhos. Tudo porque, como explica o líder da distrital centrista, Henrique Monteiro, no caso da Meda, «o PSD fez tábua rasa da ética entre os partidos e não respeitou a aritémica dos resultados». «Eles admitiam que o CDS liderasse a coligação mas eles é que impunham o elemento que teria que encabeçar [que era o centrista Aires do Amaral», diz o líder do CDS, na entrevista ao TB, adiantando que o partido nos restantes concelhos entendeu solidarizar-se com a Meda. Quanto às restantes possíveis coligações, incluindo a da Guarda, refere que apenas «havia abor-dagens exploratórias e conversas prelimi-nares».

Terras da Beira – Há quatro anos não houve candidaturas nos concelhos de Manteigas e Figueira de Castelo Rodrigo. Em Vila Nova de Foz Côa apostaram apenas para a Assembleia Municipal. Como é que vão ser as autárquicas este ano?
Henrique Monteiro – O CDS vai procurar concorrer em listas próprias ao maior número de concelhos que lhe for possivel. A ambição máxima é concorrer a todos e vai-se esforçar por isso.

Havia um acordo entre o PSD e o CDS para cumprirem na medida do possível as coligações que existiram há quatro anos. Como é que vai ser agora?
Não havia acordo nenhum. Havia era um conjunto de concelhos que tinham sido sinalizados a nível dos órgãos nacionais nomeadamente até pelo PSD em que manifestaram interesse em se coligarem com o CDS e o CDS muito naturalmente esteve sempre disponível para dialogar até ao passado dia 21 de Março. O CDS tem noção daquilo que vale na Guarda, em Manteigas, em Almeida e na Meda. E aquilo que o CDS pediu neste processo foi que fossem respeitados os resultados das eleições autárquicas de 2013 e que esta negociação se desenvolvesse numa base de respeito institucional. E o PSD quebrou esse respeito institucional. Fez tábua rasa da ética entre os partidos e não respeitou a aritémica dos resultados. Na situação concreta da Meda teve a veleidade de vir dizer quem é que tinha que ser o candidato que o CDS teria que levar [que devia ser Aires do Amaral]. Eles admitiam que o CDS liderasse a coligação mas eles é que impunham o elemento que teria que encabeçar.
Eu respeito a democracia e respeito muito as instituições e o CDS claramente que aqui não foi respeitado. Basta referir que o PSD elegeu um vereador nas últimas eleições na Meda e o CDS tem dois, tendo ficado a cerca de 100 votos de ganhar a câmara, que eu estou convicto que a vamos ganhar agora. Estou convicto que os medenses vão dar um voto de confiança ao César Figueiredo, porque é um homem que está por dentro dos problemas do concelho. Por extraordinário que possa parecer, o próprio eleito do PSD, que acumula a presidência da concelhia, está coligado com o PS na Câmara.

Estamos a falar de quem concretamente?
De Paulo Amaral. Agora eu não sei se toda esta circunstância que o PSD gerou neste caso concreto da Meda se foi para, de alguma forma, esconder algum desconforto com a situação política que ali tem gerado. Estou convicto que nas próximas eleições [social-democratas] eles não vão eleger o vereador que têm neste momento porque andaram a abordar o actual presidente da Câmara, que é socialista, para ser o candidato pelo PSD na Meda. Isto é uma situação que não é muito normal e eu tenho até alguma dificuldade em compreender este tipo de posicionamento.

O CDS concorre sózinho na Meda. É uma forte aposta?
É.

Há mais alguma forte aposta?
Há algumas que são do conhecimento público. Claramente que Vila Nova de Foz Côa é uma aposta forte. Trancoso também, assim como o é Celorico da Beira.

No caso de Foz Côa há a possibilidade de muitos dos eleitores que votarem na lista do CDS de serem eleitores do PSD, dado que o candidato Artur Xavier abandonou recentemente a lierança da concelhia social-democrata, por divergências com a Distrital…
Acho que os eleitores que votarem na lista do CDS serão foscoenses convictos de que a equipa que se candidata pelo CDS tem o melhor projecto para o concelho de Vila Nova de Foz Côa.

Falando ainda desta caso de Foz Côa, o resto da lista é escolhida pelo CDS ou há alguma negociação com o cabeça-de-lista?
O CDS entende que a massa cinzenta não se esgota nos partidos. É benéfico para a democracia que os partidos criem oportunidades para quem está fora deles. O CDS está aberto a acarinhar todas as pessoas que queiram acrescentar valores aos seus concelhos. Gente que venha com ideias, projectos de aposta forte no desenvolvimento das suas terras.

Desta vez o CDS quer ter o simbolo do partido nas listas?
Exactamente.

Mesmo em Aguiar da Beira, em que há quatro anos apoiaram uma lista independente?
Aguiar da Beira foi uma solução diferente em que houve um candidato independente e chegou-se a um entendimento que, no contexto local do momento, era do interesse da candidatura, no seu todo, não haver uma associação de símbolos partidários.

E desta vez vai repetir-se?
Está em análise.

É positivo o balanço que faz desse candidato?
É positivo, mas será a estrutura local que terá que se pronunciar.
A Distrital não vai impôr-se?
Todas as situações que saem do figurino tradicional, que são as candidaturas próprias, terão que ter depois uma análise não só da Distrital mas também dos órgãos nacionais.

Em Seia também houve coligação, ao apoiarem Albano Figueiredo. E agora?
Não vai haver.

Nem chegou a haver nenhuma negociação para estas coligações até à data do comunicado?
Houve conversas. Não havia nada consolidado. Havia abordagens exploratórias e conversas preliminares mas evidentemente que o PSD fez questão de inquinar por completo este diálogo, com as posições que veio a tomar na Meda. O partido nos restantes concelhos entendeu solidarizar-se com a Meda.

Os dirigentes nacionais concordaram com a posição da Distrital?
Sim, sim.

O CDS comunicou ao PSD ou optou apenas por avançar com o comunicado?
Quando a situação chegou ao limite, foi conversado telefonicamente.

Como é que vai ser aqui na Guarda? Não havia negociações para repetir a coligação?
Como eu disse, apenas abordagens exploratórias.

Uma vez que o CDS está aberto a apoiar independentes, poderia ser o caso na Guarda?
Na Guarda, em Almeida, no Sabugal ou em Manteigas, os independentes, pessoas com qualidade, seriam sempre situações a considerar.

O presidente da distrital poderá ser o candidato na Guarda?
A minha posição é a mesma. Não me ponho em nenhum pedestal para ser candidato. Eu quero é ter as melhores soluções para o meu concelho, como também para todos os outros. Agora, se me disser em termos de responsabilidades, se tiver que assumir, estarei disponível para assumir.

Quando é que o CDS estará disponível para fazer uma análise aprofundada sobre a gestão da coligação na Guarda?
O mandato está a decorrer e os balanços fazem-se no final.

De vez em quando tem havido alguns atritos na coligação, como se tem visto na Assembleia Municipal?
Não tem havido grandes atritos. Eu já expliquei que o episódio [na Assembleia Municipal] foi uma questão de falta de experiência de gerir a situação no momento, porque a cadência das situações aparecem de uma forma diferente daquela que estavam a pensar, do que propriamente uma intencionalidade de prejudicar ou de estar contra a solução apontada peloe executivo.

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