Quarteirão das Artes da Guarda tem «zero de financiamento»

Álvaro Amaro disse que o apresentaria em Março, pediu desculpa pelo atraso, mas cumpriu a promessa de envolver os munícipes no futuro Quarteirão das Artes. Um projecto «estruturante» cujo conceito geral foi apresentado esta Segunda-feira pelo grupo de trabalho nomeado pelo presidente da Câmara da Guarda, constituído pelo director do Museu, João Mendes Rosa, o arqueólogo Vítor Pereira e o arquitecto Fernando Lopes, e para o qual afirmou ter «zero de financiamento».
«Dificilmente se irá concretizar tudo o que foi apresentado», admitiu, revelando que se estima que o valor total do projecto seja de um milhão e meio. «Não prometemos à Guarda o Quarteirão das Artes porque não temos um milhão e meio», afirmou, confessando no entanto ter «fortíssimas esperanças» em obter financiamento comunitário. O autarca lembrou que o próximo ano será de «reprogramação» do Portugal 2020, que entende ser «muito fechado», e que acredita irá «suprir algumas lacunas». «Tentaremos obter esse financiamento», assegura, ressalvando que «não haverá Quarteirão das Artes nos próximos dois anos, nem três».
A justificação prende-se com o «longo» caminho que terá que ser feito. O conceito geral agora apresentado irá estar em discussão pública durante um mês, entre 16 do corrente e 16 de Junho, todas as Terças-feiras no Museu da Guarda, onde os munícipes poderão apresentar «contributos válidos» e «construtivos», como pede o presidente da Câmara, junto do grupo de trabalho. Até o candidatar a concurso terá que ser elaborado o projecto final e obter-se finan-ciamento. «Coimbra, Lisboa e Bruxelas» estão no roteiro de Álvaro Amaro.
A ideia do projecto, recorde-se, surgiu em Julho de 2015 na cerimónia de assinatura de um contrato inter-administrativo de transferência do Museu da Guarda para a Câmara Municipal, celebrado entre a autarquia e a Direcção Regional de Cultura do Centro. No espaço do futuro Quarteirão das Artes, no edifício que no passado funcionou como Paço Episcopal, estão actualmente instalados o Museu da Guarda e o Centro Cultural e existe um espaço destinado ao futuro Museu de Arte Sacra.
Questionado se o Centro Cultural e o futuro Museu de Arte Sacra da Diocese da Guarda vão fazer parte do projecto, Álvaro Amaro respondeu estar tudo em aberto. «Neste estudo prévio do Quarteirão das Artes nada se mexe, nada se muda, mas tudo se transforma», disse, garantindo que a Câmara está «disponível para ajudar a colocar [os referidos espaços] noutro local da cidade», assim seja entendido. É aguardar pelo projecto final.
O conceito geral do Quarteirão das Artes, que pretende transformar aquela zona «como um local de grande visitação» da cidade, contempla, entre outras acções, a requalificação do espaço interior do actual museu e a construção de um novo edifício, no pátio exterior, onde serão instalados os futuros Museu da Cidade (desde a Pré-História até à actualidade) e Centro de Arte Contemporânea.
Também a zona envolvente, que engloba as ruas Marquês de Pombal e Alves Roçadas e o Largo João de Deus, será intervencionada. A finalidade é «chamar as pessoas a esta nova centralidade», como referiu o arquitecto Fernando Lopes.
Em termos programáticos, o Quarteirão das Artes tem três grandes áreas de actuação, todas elas começadas pela letra F.
«Fruição. Porque é importante que se vá aos museus não só para aprender mas também para a fruição dos momentos que o museu tem mesmo para oferecer em termos lúdicos, em termos de lazer, nos seus vários aspectos»; «Formação. O museu ter um plano formativo, educacional e científico sistemático para, em complemento com as várias instituições sociais, culturais e educativas da cidade promoverem todo um programa sistemático educacional»; «Fomento criativo. Que é aquilo que já está um pouco a passar-se com as nossas actividades, nomeadamente no Simpósio [Internacional de Arte Contemporânea] e no Salão de Outono, que é a criação de arte, a criação de momentos criativos que propiciem, por um lado, a participação do cidadão, e, por outro lado, haver obra materializada e que o museu seja o centro de formação e o centro de criação artística», como explicou o director do Museu da Guarda, João Mendes Rosa.

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