Reprovadas as candidaturas para a criação de mais sete equipas de sapadores florestais no distrito

O Governo apresentou na semana passada 20 novas equipas de sapadores florestais. Da lista consta apenas uma equipa do distrito da Guarda, criada pelo município da Meda. Foram excluídas outras sete candidaturas do distrito por não cumprirem os requisitos do concurso. As candidaturas previam a criação de equipas nos concelhos da Guarda, Almeida, Pinhel, Seia, Trancoso, Fornos de Algodres e Figueira de Castelo Rodrigo. Passam a existir no distrito 29 equipas de sapadores florestais.
Elisabete Gonçalves
elisagoncalves.terrasdabeira@gmpress.pt
O governo lançou no início do ano um concurso para a criação de novas equipas de sapadores florestais. Na semana passada apresentou os 20 grupos criados através daquele procedimento. A lista inclui apenas uma equipa do distrito da Guarda, criada pelo município da Meda. Foram apresentadas mais sete candidaturas de entidades do distrito, mas foram excluídas por não cumprirem alguns requisitos previstos no concurso. Na lista dos processos reprovados estão as candidaturas da Associação de Produtores Florestais Piscotávora, de Trancoso; do município de Almeida; do município da Guarda; da cooperativa Foral, de Fornos de Algodres; da Associação de Produtores de Pequenos Ruminantes da Bacia Hidrográfica do Côa – Covicôa, de Pinhel; da Caule – Associação Florestal da Beira Serra, para o concelho de Seia, e da ATN – Transumância e Natureza, para os concelhos de Figueira de Castelo Rodrigo e Pinhel.
Recorde-se que o presidente da Câmara da Guarda já se tinha referido à candidatura apresentada para a criação de mais uma equipa de sapadores florestais, dizendo que se fosse aprovada a intenção da autarquia era transferir a sua gestão para outra entidade. Actualmente existem três no concelho da Guarda, duas da Associação Floresta Viva de Fernão Joanes e outra da freguesia de Valhelhas.
Antes deste concurso, existiam no distrito da Guarda 28 equipas distribuídas por todos os 14 concelhos. A mais antiga é uma das equipas da Associação de Produtores Florestais CELFLOR, no concelho de Celorico da Beira. Com a recém-criada na Meda passam a ser 29.
Com a criação de novas equipas de sapadores florestais, o governo «pretende aumentar a área de intervenção com acções de redução de combustível e a resiliência do território aos incêndios florestais e ainda na vertente da vigilância e combate aos incêndios, reforçar a vigilância armada antes e pós incêndio e a primeira intervenção em incêndios nascentes, por forma a evitar a ocorrência de grandes incêndios florestais». A análise e selecção das candidaturas esteve a cargo do Instituto de Conservação da Natureza. Entre os critérios aplicados para a selecção das candidaturas esteve a taxa de ocupação florestal e a perigosidade de ocorrência de incêndio florestal do território a que dizia respeito a candidatura. Cada equipa é composta por cinco elementos. O Estado atribui às equipas aprovadas o equipamento colectivo e individual e assegura a oferta da formação de sapador florestal.

Criação das equipas de sapadores estava congelada desde 2009
Na apresentação das 20 novas equipas de sapadores florestais, o primeiro-ministro evidenciou que o trabalho das equipas de sapadores «é absolutamente essencial» para a protecção da floresta portuguesa, o que levou o Governo a «descongelar o programa» que estava parado desde 2009. «A chave é limpar a floresta a tempo e horas», com os sapadores a fazerem esse trabalho durante o Inverno e reforçarem a vigilância no Verão, disse António Costa. Ao mesmo tempo, o Governo, que conta com apoio de todos os partidos da esquerda parlamentar – PS, Bloco de Esquerda, PCP e Verdes – avançará com «uma grande reforma florestal» necessária «para o futuro do país». Independentemente de essa reforma «só produzir efeitos a médio prazo», há razões «para não adiar mais aquilo que foi adiado», acrescentou. Para António Costa, importa que a floresta, em Portugal, «seja cada vez menos uma ameaça» para as populações, a economia e o ambiente.
Acompanhado pelo ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, e outros membros do Governo, António Costa preconizou, igualmente, um redobrado esforço na criação de novas ZIF no país. «Uma gestão isolada da floresta não permite valorizar o património» dos proprietários, referiu, nem «gerir em segurança» o conjunto das múltiplas parcelas, designa-damente na região Centro, onde predomina o minifúndio, o que levou o Governo a «voltar à ideia das ZIF», que avançou em 2006, no primeiro executivo de José Sócrates. António Costa adiantou ainda que a reforma florestal «vai ter um impacto superior no país» àquele que o projeto do Alqueva «já teve no Alentejo».
Pouco antes, já Capoulas Santos tinha recordado que o Alqueva avançou há cerca de 20 anos, num governo de António Guterres, quando ele próprio foi pela primeira vez ministro da Agricultura.
«O que estamos a fazer na floresta é uma coisa com muito mais profundidade do que aquela que o Alqueva conheceu», realçou o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.
A ZIF do Alva e Alvoco, onde decorreu a cerimónia com António Costa, foi criada, em 2006, pela Caule – Associação Florestal da Beira Serra.
O sapador florestal é um trabalhador especializado com perfil e formação específica adequados ao exercício de actividades de silvicultura e defesa da floresta, como silvicultura preventiva, na vertente da gestão de combustível florestal, com recurso a técnicas manuais, moto manuais, mecânicas ou fogo controlado. Faz ainda a manutenção e protecção de povoamentos florestais e sensibilização das populações para as normas de conduta em matéria de proteção florestal. Faz ainda vigilância armada, primeira intervenção em incêndios florestais e presta apoio a operações de rescaldo e vigilância activa pós -rescaldo.

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