Sanatório da Guarda foi inaugurado há 110 anos

Passam hoje 110 anos sobre a inauguração do Sana-tório. Mas à passagem de mais um aniversário não há nada para celebrar. De promessa em promessa, o tempo tem sido o único a ocupar-se dos edifícios mais emblemáticos da-quele complexo que deu grande visibilidade à Guarda. A última notícia dava conta que estaria em curso uma candidatura a ser elaborada em conjunto da Universidade da Beira Interior, mas sobre o processo nada de sabe.

á 110 anos neste dia, a Guarda vivia um momento histórico. O casal real D. Carlos e D. Amélia inauguravam o Sanatório, instituição que haveria de dar grande visibilidade à cidade. O complexo era composto por três pavilhões para internamento de doentes, três moradias bifamiliares para doentes que se fizessem acompanhar de famílias, edifícios para instalação da farmácia, raio x, laboratório, administração, lavan-daria e central eléctrica. Na literatura da época é referido que a povoação insignificante que era a Guarda iniciou um novo percurso e ganhou importância.
Com o 25 de Abril a instituição concluiu a sua função e acabou por ter integrada no Hospital Distrital da Guarda. Em 2004 o complexo foi classificado como conjunto de interesse público.
Mas volvidos 13 anos, os pavilhões Rainha Dona Amélia e António de Lencastre continuam completamente votados ao abandono, praticamente em ruína. Apesar das vontades expressas ainda não houve uma intervenção que fosse capaz de travar a degradação dos imóveis.

Uma oportunidade perdida
A esperança de um dia aquele património ser requalificado ressurgiu aquando do centenário do Sanatório, dia em que o então ministro da Saúde, Correia de Campos, anunciou a ampliação do hospital e a recuperação do pavilhão “comboio”. Mais tarde aquando da cerimónia de lançamento da primeira pedra destas obras, em Maio de 2007, é anunciada a requalificação dos pavilhões D. António de Lencastre e Rainha Dona Amélia. Mas nem sinal de umas nem de outras. As intervenções estavam previstas na segunda fase das obras do hospital. O projecto tinha sido anunciado pelo então presidente da Câmara Municipal da Guarda, Joaquim Valente e pelo então presidente da ULS da Guarda, Fernando Girão, com a presença do primeiro-ministro José Sócrates. Ficou a promessa de que os pavilhões mais antigos iriam ser transformados em duas unidades de investigação. Para o pavilhão Rainha Dona Amélia foi projectado o Pólo da Tuberculose do Museu da Saúde e o Centro de Investigação e Inovação Ambiental. Para o Pavilhão D. António de Lencastre foi apontada uma clínica para doenças do foro respiratório. Na altura, a ministra da Saúde, Ana Jorge, evidenciou a importância de se recuperar aqueles espaços que tinham «uma componente histórica muito importante tanto para a Guarda como para a Saúde». Como explicava uma nota distribuída nesse dia à comunicação social, as valências a criar nos pavilhões antigos são «uma perspectiva inovadora de recuperar o património e responder à actual tendência de criar centros de excelência fora dos grandes centros urbanos». O Centro de Investigação e Inovação Saúde/Ambiente, a criar no Pavilhão Rainha Dona Amélia teria como objectivo o estudo das microbactérias; de genomas microbianos; de resistências a agentes antimicrobianos; de alergias e a descoberta e desenvolvimento de novos antibióticos. Ainda para este pavilhão estava definida a criação do Laboratório de Certificação e Monitorização da qualidade do ar cujo objectivo seria «monitorizar os indicadores referentes à qualidade do ar e prestar serviços nessa área a todo o território nacional». Para o Pavilhão D. António de Lencastre, o princípio era o de criar «uma envolvente de contexto propícia à implementação na região de um cluster bioclimático». A ideia era a de criar uma clínica privada vocacionada para turismo ambiental e de saúde, es-pecialmente dedicada ao trata-mento de doenças do foro respiratório.

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