Saúde: agora seria (ou ainda é) o momento

Durante o período eleitoral autárquico de 2021, a Saúde foi um dos temas mais badalados e discutidos.

Numa iniciativa louvável e necessária que emergiu da sociedade civil, houve até um debate dedicado exclusivamente a este tópico.

Estive presente e, apesar do tempo já passado, guardo ainda algumas impressões do mesmo. Foi longo, com contribuições mais ou menos relevantes dos candidatos e intervenções esclarecedoras por parte da audiência, algumas delas proferidas por profissionais de saúde que estão no terreno e conhecem a realidade.

Ora, um ponto que emergiu da discussão é que o centro de decisão onde se pode alterar substancialmente esta realidade – e que várias notícias que têm vindo a público nos últimos tempos atestam ser complicada – é ao nível do Ministério da Saúde e do Governo. Atualmente, estamos próximos de eleger os nossos deputados, que, para além do trabalho legislativo que terão ao longo dos próximos quatro anos (ou enquanto durar a próxima legislatura), contribuirão (pelo menos alguns) para sustentar uma solução governativa que terá um projeto para o país e, necessariamente, para a Saúde. Não será, então, o melhor momento para voltar a este assunto?

No dia em que escrevo esta crónica faltam vinte dias para o ato eleitoral e os diferentes partidos que se apresentam à corrida pelas três cadeiras de deputado do distrito estão já em campanha, como seria de esperar.

Provavelmente estarão também, por diferentes instituições da sociedade civil e órgãos de comunicação social, a ser desenhados debates e outras formas de transmissão das propostas dos protagonistas políticos destas eleições no nosso distrito. Por isso, esta crónica pode rapidamente tornar-se obsoleta. Se assim for, ainda bem.

A missão de informar e esclarecer é sempre fundamental, e estas iniciativas revestem-se de maior importância numa altura em que o elevado número de casos de COVID-19 está a implicar uma reconfiguração do modelo de campanha, menos focada em arruadas e comícios e com um investimento substancial no digital e nas redes sociais.

Os momentos de debate, em particular, são dos mais importantes, por serem o espaço onde, por excelência, os candidatos apresentam ideias, rebatem argumentos, são confrontados com visões diferentes e têm de justificar opções. Isto é impossível de suceder nas respetivas páginas, em que os conteúdos e as formas de comunicação são estrategicamente definidos e em que os diferentes partidos transmitem a sua mensagem sem qualquer contraditório.

Alguns poderão argumentar que já temos os debates dos líderes partidários nacionais nas televisões. Serão, certamente, úteis, apesar da maior ou menor concordância relativamente ao modelo dos mesmos. No entanto, apesar da tentativa fervorosa de bipolarização por parte dois maiores partidos a nível nacional, convém não esquecer que votaremos para eleger os deputados do distrito da Guarda e não diretamente o próximo primeiro-ministro. E, por isso, é crucial ouvi-los para votar da forma mais esclarecida possível.

Tendo isto em mente, até ao momento e a nível distrital, podendo ser falha minha, ainda não vi nenhuma iniciativa de discussão relacionada com a Saúde, um tema que é fundamental a nível nacional, mas também a nível local/regional. Ademais, é um tema que gera interesse para a nossa população e cujas promessas podem influenciar o sentido de voto.

Desta forma, os candidatos do distrito podem apresentar, nestas eleições, propostas com impacto real no Parlamento e os deputados eleitos poderão exigir, para apoiar soluções parlamentares que sustentem um determinado Executivo, o compromisso com políticas que realmente alterem o paradigma.

Estamos habituados a que a orientação partidária se sobreponha às questões regionais, mas convém não esquecer (até porque neste caso o queijo aviva a memória) os célebres orçamentos limianos. E, já que se fala de saúde, para grandes males, grandes remédios…

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