Seia exige medidas do Governo para resolver «estado calamitoso» da saúde no concelho

O presidente da Câmara Municipal de Seia, Carlos Filipe Camelo (PS), solicitou uma audiência ao primeiro-ministro para resolução «do estado calamitoso em que se encontra a saúde» no concelho. Segundo uma nota do município de Seia, «em causa está a falta de médicos no Centro de Saúde» e «a elevada degradação daquelas instalações, para além do contínuo esvaziamento de serviços e valências do Hospital [de Nossa Senhora da Assunção]».
No comunicado, é referido que o autarca Carlos Filipe Camelo «quer que os novos deputados tratem o assunto em comissão parlamentar com a ministra da Saúde, Marta Temido, para que esta se pronuncie sobre a situação».
O autarca socialista espera que «os recém-eleitos deputados ajudem a resolver o problema», lembrando que «as anteriores reuniões mantidas pelo município com a actual ministra da tutela, a Administração Regional de Saúde (ARS) e a Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda, não produziram resultados».
De acordo com o autarca, a criação da ULS da Guarda, em 2008, que resultou da agregação de todas as unidades de saúde do distrito, «não beneficiou Seia, pelo contrário». «Para além da actual situação gravíssima do Centro de Saúde, olhe-se para o Hospital Nossa Senhora da Assunção, uma unidade hospitalar que tem vindo a perder importância e influência, sendo hoje rotulada como um “apêndice” do Hospital da Guarda», referiu o responsável, citado na nota.
Carlos Filipe Camelo lembra que o hospital local «era dos que tinha melhores níveis de eficiência e desempenho (antes de ser integrado na ULS), pelo que ninguém compreende que o Hospital de Seia, tendo condições estruturais (novo edifício) e capacidade instalada, não esteja devidamente aproveitado».
Perante a situação, a Câmara Municipal de Seia defende que aquela unidade de saúde «deve constar entre as unidades que deverão recuperar autonomia de gestão para contratar e fazer investimentos, no âmbito do plano anunciado pelo Governo há mais de um ano». «Só um modelo de gestão autónoma para o Hospital de Seia pode repor uma situação de normalidade, serviços e valências perdidas, ganhos de eficiência e maior produtividade, inclusive numa lógica de sustentabilidade, como demonstram os 40 anos de sucesso do Serviço Nacional de Saúde, assente num modelo de gestão descentralizado dos serviços que deu excelentes resultados», considera o presidente da autarquia.
A Câmara Municipal de Seia refere que «tem vindo a desdobrar-se em múltiplos contactos» com a administração da ULS da Guarda e a ARS do Centro, em estreita articulação com a Comissão de Infraestruturas e Coesão Territorial da Assembleia Municipal de Seia.
Este mês, a Comissão de Infraestruturas e Coesão Territorial da Assembleia Municipal de Seia também deliberou, por unanimidade, solicitar reuniões com «carácter de urgência», para discutir a prestação de cuidados de saúde no concelho.

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