Setembro de relançamentos

Setembro é um mês de transição. Do verão para o outono. Do período de férias para as aulas ou para o regresso ao trabalho.

É também o mês de início de um novo ano político.

No Município da Guarda, o primeiro ano de mandato foi difícil, exigente e contou com algumas circunstâncias extraordinárias na gestão autárquica, com destaque para os enormes incêndios florestais que não deram tréguas durante o mês de agosto.

Diria até que, dados os resultados das últimas eleições, este terá sido o ano zero da equipa com pelouros, em que se destaca sobretudo a reorganização da estrutura orgânica da Câmara que, de ora em diante, será avaliada e posta à prova. O tempo dirá se foi uma aposta ganha ou um erro que terá, inevitavelmente, custos.

Ainda assim, várias outras coisas foram feitas, nomeadamente o regresso a eventos de massas após o hiato imposto pela pandemia, a localização do Centro Europeu de Competências para a Economia Social, as ecléticas iniciativas culturais ou o desempenho das novas responsabilidades na área educativa.

O futuro não se avizinha, todavia, mais tranquilo ou livre de grandes escolhos.

Fruto das circunstâncias e de outros imediatos mais urgentes, o Porto Seco tem estado mais ou menos arredado da discussão política e mediática. Como dito por muitos no passado recente, esta pode ser a (última) grande oportunidade para alavancar o desenvolvimento da Guarda e de toda uma região em lento definhamento. É um dos maiores desígnios do nosso Município e deve receber todos os esforços para o seu sucesso.

O imbróglio em torno do Hotel Turismo continua vivo e sem resolução evidente. Este assunto voltou à praça pública através de uma moção apresentada pelo movimento independente Pela Guarda e que mereceu aprovação na Assembleia Municipal. A semana passada trouxe um novo episódio a esta novela, com declarações do Presidente da Câmara da Guarda e da Secretária de Estado do Turismo. Por um lado, disse-se que a recuperação do edifício pode ser integrada no plano de revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela. Pelo outro, acredita-se que a solução esteja próxima. A implacável realidade confirmará estas palavras ou torná-las-á um embaraço. Voltando à moção aprovada, esta exigia que, se até ao fim do ano de 2022 o Governo não apresentasse um plano para este imóvel, o mesmo deveria voltar para a alçada do Município. O tempo está a passar.

À nossa volta, podemos constatar as mudanças causadas pelas alterações climáticas. A falta de água, que já exige o abastecimento de três localidades do concelho por camiões cisterna, é mais uma evidência desta desregulação de causa humana. O Município da Guarda já tomou medidas, nomeadamente a redução em um terço da área de jardins regada, para além de ter parado de repor água em fontes decorativas. Adicionalmente, é relevante recordar que o próprio Município tem, desde janeiro de 2021, um “Plano de Ação para Adaptação às Alterações Climáticas”, já referido nesta coluna em outubro de 2021. Caso ainda não esteja a ser utilizado, deve ser uma ferramenta fundamental para enfrentar os tempos difíceis que, também neste campo, se avizinham.

Como consequência do exposto no parágrafo anterior, os incêndios que esventraram o manto verde de muitas freguesias representam também um dos principais desafios dos próximos tempos. Após a tragédia aguda, em condições dramáticas, é agora tempo da recuperação a longo prazo, da reconstrução e da prevenção. Este trabalho não abre telejornais, é moroso e muitas vezes invisível, mas é o substrato para a nova vida do tesouro que é a Serra da Estrela. Os primeiros passos, quer pelo levantamento de prejuízos e estado de calamidade decretado pelo Governo, quer pela unidade demonstrada pelos autarcas da região, parecem positivos. Esperemos que assim continue em prol deste território e das (poucas) pessoas que por cá resistem.

O Executivo tem ainda de garantir as funções correntes do dia a dia no serviço aos munícipes. Atendimento eficaz, respostas rápidas, rede de transportes adequada, limpeza assídua, preservação dos equipamentos urbanos e vias de comunicação em condições. A lista é longa e não finda nesta curta enumeração.

Para além disso, terá de haver ainda capacidade para lutar pelo maior desafio de todo o interior, que passa pela fixação de população jovem e que só pode ser conseguida de forma substancial através da fixação de empresas e da criação de emprego qualificado com remuneração justa e atrativa.

Realmente, não é tarefa fácil. Haja força, vontade, visão e rasgo. Haja apoio, colaboração, franqueza e crítica construtiva. Haja, no fundo, democracia a funcionar em prol do bem coletivo.

Em julho de 2023, na entrada da próxima silly season, faremos o balanço. Até lá, farei também a minha parte.

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