Sindicato alerta para consequências da falta de enfermeiros no hospital da Guarda

A falta de enfermeiros em alguns serviços do hospital da Guarda pode estar a pôr em causa a qualidade dos cuidados prestados aos utentes da Unidade Local de Saúde (ULS) da Guarda. O alerta é dos dirigentes regionais do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses que, na semana passada, denunciaram em conferência de imprensa as consequências da sobrecarga de trabalho dos colegas decorrente da «grave carência» de profissionais. Ricardo Correia e Honorato Robalo apontam o dedo ao governo que não está assumir o compromisso de autorizar a contratação de mais enfermeiros o que leva a uma «sobrecarga de trabalho» aos que trabalham na instituição. Os sindicalistas alertaram para as consequência clínicas, laborais e para a saúde dos profissionais. O aumento do volume e ritmo de trabalho leva à exaustão com o consequente impacto na qualidade e segurança dos cuidados; aumento de acidentes de trabalho e de situações de stress por falta de condições de saúde e segurança, alerta o Sindicato.
Ao nível clínico, a situação pode reflectir-se no aumento das infecções hospitalares, no tratamento das feridas provocadas pelo internamento e na duração do internamento. Há ainda uma desregulação total dos tempos de descanso dos enfermeiros obrigando a um trabalho «extraordinário forçado e não pago». «Temos escalas de serviço com horas excessivas e enfermeiros desmotivados. Estamos a atingir um ponto de muita saturação e muita exaustão», alertou Ricardo Correia.
O sindicato denuncia que há «desrespeito total pelos horários de trabalho; imposição de bancos de horas ilegal de acordo com as necessidades da instituição; trabalho extra forçado e não pago e muitos dias sem folgar». Os dirigentes sindicais dizem que, em média, os enfermeiros estão a fazer mais 30 a 40 horas de serviço ao mês. Calculam que lhes sejam devidas 14 mil horas de trabalho. O Sindicato fez as contas e refere que são necessários mais 95 enfermeiros na instituição nas actuais condições de trabalho. Com a mudança prometida para as 35 horas de trabalho as necessidades atingem os 138 profissionais. Honorato Robalo evidencia a disponibilidade do Conselho de Administração da ULS da Guarda para dialogar e critica o facto do governo não dar autonomia às instituições para contratar. O Sindicato recorda que a ULS da Guarda tem uma bolsa de recrutamento activa e que só seria necessária a autorização da tutela para contratar mais enfermeiros. «Se há autorização para reforçar as equipas médicas com a contratação de novos profissionais, porque razão não se autoriza para os enfermeiros?», questiona Honorato Robalo.
Os dirigentes sindicais refutam a ideia de que estejam a contribuir para criar «pânico» na opinião pública, defendendo que o objectivo é que «as pessoas fiquem atentas». «Estamos a resgatar a dignidade dos utentes», sustentou Honorato Robalo. O sindicalista desafiou a população para que se organize à semelhança do que acontece noutros pontos do país e que «venha para a rua defender os seus direitos».
EG

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