Técnica desenvolvida por cirurgião da Guarda com projecção mundial

Depois do sucesso na Europa, a técnica desenvolvida pelo director do serviço de cirurgia da ULS da Guarda, Augusto Lou-renço e pelo director do Serviço de Cirurgia de Ambulatório do Centro Hospitalar de S. João, Rui Soares da Costa, no tratamento de hérnias inguinais, está a ter grande projecção noutros pontos do mundo. Recente-mente, os dois cirur-giões fizeram a apre-sentação da técnica no Japão e já este ano orientaram sessões de treino na África do Sul.
O director do Serviço de Cirurgia da Unidade Local de Saúde da Guarda, Augusto Lourenço, esteve recen-temente no Japão para fazer a apresentação da técnica inovadora no tratamento das hérnias inguinais. Depois do sucesso na Europa, a técnica está a ter projecção noutros pontos do mundo. Este ano também já foram promovidas sessões de treino na África do Sul. A Onstep/Onflex, uma técnica e uma prótese já usadas por centenas de cirurgiões, foi criada Augusto Lourenço e Rui Soares da Costa, diretor do Serviço de Cirurgia de Ambulatório do Centro Hospitalar de S. João, do Porto.
Em 2013, o TB já tinha dado conta do sucesso que a técnica, testada pela primeira vez em 2005, estava a ter já em vários paises europeus. Os dois cirurgiões conhe-ceram-se num congresso da especialidade. Rui Soares da Costa ouviu o que Augusto Lourenço estava a investigar e achou «genial». E a partir daí começaram a trabalhar juntos.
Augusto Lourenço afirmou esta semana ao TB que o projecto está a crescer e que estão criadas as condições para «ter uma grande divulgação». O cirurgião diz que este projecto está a dar-lhe «um certo gozo» porque é a prova de que «se consegue fazer alguma coisa mesmo estando no interior do país». Augusto Lourenço conta que o «irrita» quando ouve dizer que «fazia se tivesse condições». «Temos de criar nós as condições. O caminho pode ser tortuoso, surgem problemas e dificuldades e muitos inimigos. Mas temos de ser teimosos». O cirurgião conta que nas duas primeiras apresentações que fez da técnica «ninguém passou cartão aquilo». «Mas na terceira apresentação já tive o tempo máximo disponível», relata. Augusto Lourenço entende que é preciso «motivar os mais novos» e dá o exemplo do interno de Cirurgia que há-de entrar em Janeiro para a ULS da Guarda «mas que já está a ser motivado nesta altura».
A técnica patenteada pelos dois cirurgiões para a cirurgia da hérnia inguinal consiste basicamente na aplicação da prótese por trás do tecido que rompeu, o que é mais simples do que a solução convencional e não implica a fixação com pontos, muitas vezes doloroso para o paciente. As principais vantagens desta nova técnica, que tem levado os dois cirurgiões a dar formação pelo mundo inteiro, tem enormes vantagens para o doente. A cirurgia demora entre 12 a 15 minutos o que implica uma dose menor de anestesia geral. O pós-operatório é mais fácil – ao fim de duas horas os doentes vão para casa pelo próprio pé – e até à data, não há registo de dor crónica nos milhares de doentes operados. Augusto Lourenço destaca ainda mais valia da técnica ao nível dos custos, por ser menos dispendiosa. O problema da hérnia inguinal, que surge na zona da virilha, é cerca de quatro vezes mais frequente nos homens do que nas mulheres. Em Portugal realizam-se cerca de 17 mil procedimentos cirúrgicos anuais por hérnia inguinal, sendo uma das cirurgias mais realizadas no nosso país.

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