Transferência da sede da Águas de Lisboa e Vale do Tejo para a Guarda não foi «motor de desenvolvimento do Interior»

O facto de a empresa Águas de Lisboa e Vale do Tejo (ALVT), que resultou da agregação de oito ermpresas (entre as quais a Águas do Zêzere e Côa) ter a sua sede na Guarda não fez com que houvesse uma maior concentração de recursos humanos e técnicos. Isto mesmo admite o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, em declarações ao “Terras da Beira” e à RA, no final de uma reunião com os autarcas da região.
«Contrariamente aquilo que as pessoas pensavam, que a ideia de transferir uma sede era um motor de desenvolvimento do Interior, na prática verifica-se que não ocorreu. Houve um concentração, neste caso, em Lisboa, de alguns serviços», afirmou o governante, exemplificando que tanto a Guarda, como Castelo Branco, Évora e Portalegre perderam funcionários. Carlos Martins, que chegou a presidir à Águas do Zêzere e Côa (AZC), adiantou que estão «a tentar corrigir isso» porque acreditam «que os serviços de água devem também ser factor de desenvolvimento regional».
«Se encontrarmos soluções que até reforcem o papel dos técnicos e o papel da autonomia a um nível mais regional, é para aí que caminharemos, mas não é esse agora, neste momento, o nosso principal foco», disse o secretário de Estado do Ambiente, esclarecendo que a prioridade é «encontrar soluções ao nível da distribuição da água em baixa, soluções que sejam mais eficientes, que sirvam melhor as pessoas».
Para além disso, «estão a decorrer aquilo que são alguns processos de estudo que vão de algum maneira tentar resolver problemas do diferendo que resultou da Águas de Lisboa e Vale do Tejo, sobretudo dos municípios da área metropolitana de Lisboa». «Esse processo está muito bem encaminhado e estamos convencidos que vamos ter sucesso», acrescentou, prevendo-se que «dia 1 de Janeiro o que possa ter de haver mudanças seja concretizado do ponto de vista legislativo».
O secretário de Estado assegurou que «a designação de Lisboa e Vale do Tejo continuará e a sede para já nada antecipa que seja mudada, sendo garantido que nestes territórios não haverá aumento de tarifas. A trajectória de tarifas que estava prevista aqui para esta região à partida continuará nos próximos anos de acordo com a trajectória que estava, com actualizações de acordo com a inflacção».
Por resolver está também o acordo formalizado entre os municípios que integravam a então AZC e a esse empresa que foi agregada à ALVT, em que seriam “perdoados” 19,6 milhões de euros da dívida do saneamento.
O super-sistema da LVT foi criado em 30 de Junho do ano passado, abrangendo 99 municípios e juntando na mesma empresa a EPAL(Empresa Portuguesa de Águas Livres), como accionista maioritária, à Águas do Centro, Águas do Oeste, SIMTEJO, SANEST, SIMARSUL, Águas do Norte Alentejano, Águas do Centro Alentejo e a Águas do Zêzere e Coa.
A nível nacional, a reestruturação do sector das águas, levada a cabo pelo Governo PSD/CDS-PP, que agregou sistemas de abastecimento de água em alta, levou à fusão de 19 sistemas multimunicipais em apenas cinco empresas (Águas do Norte, Águas do Centro Litoral, Águas de Lisboa e Vale do Tejo e as já existentes Águas do Alentejo e Águas do Algarve).

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