Um Governo que se esfumou

Um dos meus amigos, inspirado com certeza por ideias anarquistas, fala frequentemente de uma ideia sempre necessária: “Há Governo: Sou contra.” 

Vivemos, contudo, um tempo em que nem sequer podemos ser contra pois o Governo e esfumou-se e não está à vista um qualquer líder que pense, planeie e execute. 

De facto, o continuado incêndio na serra da Estrela veio demonstrar que o governo se esfumou logo e quando o tempo atmosférico e mais uns pirómanos começaram a fazer das suas, pondo a nu a nossa fraca cabeça governante.

 Escreve por isso o JN em 11 de agosto de 2022, de modo bem suave que em Oliveira do Hospital “as chamas chegaram perto de habitações que já arderam nos grandes incêndios de 2017” (p. 22).

Tudo se repete por isso como tragédia, mostrando que o Governo não consegue aprender com a experiência passada, mas só por a ignorar com sobranceria. 

Não admira que os autarcas da região tenham apontado falhas graves e óbvias do combate, onde são evidentes as falhas do governo, agravada pelas falhas de manutenção dos equipamentos de combate aos incêndios, que deviam ter sido feitas atempadamente. E isso é tarefa de gestão corrente, que não é executada por não ser inserida num processo planeado de gestão, que só assim permite o atempado combate aos fogos. Tudo revela como este Governo governa sem se habilitar com os necessários efetivos humanos, que lhe permitam ter uma gestão apropriada e eficaz dos problemas que tem de resolver. 

Antes, informa-me o Nordeste de 9 de Agosto de 2022, já ardia há vários dias a nossa serra da Estrela, o Governo atribuiu 1,3 milhões a 7 municípios para reforço do abastecimento de água, um feito muito sovina da autoria do secretário de Estado da Conservação da Natureza e Florestas, João Paulo Catarino. Não admira que alguns autarcas critiquem com muita razão a falha evidente do governo na dotação de recursos necessários para a solução dos problemas da floresta.

Enquanto isso acontece, o Presidente da República criticou os enfermeiros e médicos, que pediram escusa de responsabilidade por não terem condições para as assumirem. E logo recebeu o conselho para que estudasse melhor a situação e que não interferisse com o poder judicial, que deverá estudar estas situações quando for ocasião de o fazer. De facto, por razões familiares e, até, fortuitas recebi queixumes de um taxista em Lisboa em relação a um Hospital, onde muita coisa corre bem mal, onde muita falha acontece por haver gestores, que usam a vara do mando para cometer erros graves por falta de senso das responsabilidades, levando os profissionais de saúde a abandonar o SNS, provocando o caos e tornando problemático o nosso viver desde o momento do nascimento

Torna-se assim criticável a atuação do Presidente da República, que parece ter perdido o senso necessário para ser um elemento equilibrador das tensões sociais, que um governo de maioria absoluta está a criar escusadamente, esfumando-se nesta estação de veraneio que tornou tempo de sofrimento coletivo. 

Cumulativamente, sentimo-nos todos mais pobres, com salários e pensões cada vez mais diminuídas sem qualquer razão válida

 De facto, tudo acontece por incapacidade do governo de preservar ou melhor conservar a riqueza que temos construído aos longo da nossa história. Na verdade, ao delapidar a biodiversidade que a Serra da Estrela, mostra que não aprendeu nada com a destruição passada do pinhal de Leiria e colocou em risco a saúde dos que aí demandam desde há muito a cura na nossa Serra e na nossa Guarda, onde se encontram bons ares. 

E tudo isso perdemos com esta governação desastrada.

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