Vacina já chegou mas o próximo ano não será o fim da pandemia de covid-19

An illustration picture shows vials with Covid-19 Vaccine stickers attached, with the logo of US pharmaceutical company Pfizer, on November 17, 2020. (Photo by JUSTIN TALLIS / AFP)

O ano acaba e começam as operações de vacinação em massa em Portugal e no mundo, mas os efeitos da imunidade ainda vão demorar meses a sentir-se, pelo que 2021 não será o fim da pandemia de covid-19.

Em Portugal, os profissionais de saúde de primeira linha no combate ao novo coronavírus começarão a partir de Domingo a ser vacinados no arranque de uma campanha que se estenderá pelo ano que vem e cobrirá primeiro os grupos populacionais mais vulneráveis, tais como os residentes em lares e pessoas com doenças crónicas acima dos 65 anos.

Embora as autoridades de saúde portuguesas e internacionais falem de esperança e luz ao fundo do túnel, os factos recomendam cautela porque não deverá haver alívio real e sustentado em contágios, hospitalizações e mortes até que pelo menos metade da população esteja vacinada.

A vacinação começará com a vacina produzida em conjunto pelos laboratórios Pfizer/BioNTech, com uma autorização de introdução no mercado condicional da Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla em inglês).

Ainda este ano, Portugal vai receber 79.950 doses de vacinas, com um primeiro lote de 7.950 entregues hoje e outras 70.200 na segunda-feira. Até ao fim do primeiro trimestre de 2021, deverão chegar a Portugal cerca de 1,3 milhões de doses da Pfizer.

Portugal reservou ainda 227.000 vacinas da Moderna e 1,4 milhões da vacina AstraZeneca/Oxford, que ainda carecem de autorização para introdução no mercado.

A vacina da Pfizer/BioNTech é do tipo mRNA, que não contém vírus inactivado, mas funciona a nível genético, desencadeando no corpo a produção de uma proteína que combate o SARS-CoV-2, o mesmo princípio da vacina da norte-americana Moderna, a próxima que poderá ter autorização para introdução condicional na Europa e que a EMA irá analisar nos primeiros dias de Janeiro.

A Pfizer estima que poderá ter prontas 50 milhões de doses para distribuir em todo o mundo ainda este ano e 1,3 mil milhões de doses durante o próximo, sendo necessárias duas tomas para a vacina ser eficaz.

Os cientistas advertem que demorará tempo para concretiza

r uma campanha de vacinação global, agravada por fatores como a geografia, as disparidades económicas dos países e a necessidade de garantir a logística para entregar e conservar as vacinas às temperaturas exigidas.

O director do Instituto de Bioquímica da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Miguel Castanho, disse numa entrevista à Lusa que, “provavelmente, só se notará se a vacina está a ter efeito sobre os grandes números da pandemia no próximo Inverno” e que seria imprudente se as pessoas deixassem de tomar medidas cautelares de um dia para o outro”.

Com cerca de metade da população imunizada, atingir-se-á o “ponto crítico para o vírus” e a partir daí, caminhando para a chamada imunidade de grupo, que restringe severamente a capacidade de o vírus circular, “alterações substantivas essenciais” na situação epidémica, com uma redução consistente no número de contágios, hospitalizações e mortes.

O coordenador da equipa especial destacada pelo Governo português para o plano de vacinação, Francisco Ramos, afirmou que Portugal conta ter 950 mil pessoas vacinadas até Abril.

O director geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Ghebreyesus, também já avisou reiteradamente que, mesmo com várias vacinas no terreno, não haverá “bala de prata” para acabar com o novo coronavírus.

Durante meses ou mesmo anos, a tónica das autoridades de saúde deverá continuar na necessidade de manter distância física, higiene das mãos reforçada e todas as medidas de restrição de movimentos de populações adoptadas para conter surtos e a disseminação descontrolada do vírus pela população.

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