Verão Quente de 2020*

Decorreram no passado Sábado, dia 27 de Junho, as eleições internas para a Comissão Política de Secção (CPS) do PSD da Guarda, que registou uma afluência massiva, tendo votado mais de 90% do universo eleitoral, constituindo-se como uma das maiores, senão mesmo, a maior participação de sempre. Isto representa, por um lado, uma enorme prova de vitalidade do partido, e por outro, uma inquestionável vitória da militância activa e participação cívica.

Esta eleição revestiu-se de particular importância porque a concelhia que dela resultou, vai ter um papel de destaque nas próximas eleições autárquicas, que ocorrerão sensivelmente a meio do seu mandato. Desde já, porque não só lhe cabe a responsabilidade de propor um candidato à cadeira maior da autarquia, mas também, pelo facto de ter a obrigação política de acompanhar e dinamizar a campanha autárquica, através da mobilização de todos os militantes, independentemente do pretendente que venha a ser escolhido.

Repare-se que, num passado relativamente recente, a escolha da concelhia, apesar de unânime, não foi consentânea com as decisões dos órgãos partidários que hierarquicamente se sobrepõem à mesma, designadamente os distritais e nacionais. Como tal, é importante ter-se noção que a preferência da concelhia, poderá ter ou não, o acolhimento por parte dos órgãos superiores do partido, devendo em caso negativo, manifestar o mesmo apoio e dedicação ao candidato ratificado pela Comissão Política Nacional. Nem outra coisa será de esperar.

No entanto, faltam ainda cerca de 15 meses até ao próximo acto eleitoral autárquico. Até lá, o actual executivo continuará em funções e uma vez que foi eleito em listas exclusivamente do PSD, fará todo o sentido, demonstrar total confiança política no seu projecto e nas pessoas que o compõem.

Entendo que o papel principal de uma concelhia é servir de primeira linha de defesa aos órgãos municipais do seu partido, sendo esta responsabilidade incomensuravelmente acrescida, quando esses são poder instituído numa determinada geografia. Claro está que, também não se deseja uma concelhia apagada e servil em relação a um determinado executivo. É importante fazer propostas e ajudar na acção política, mas existem dois pilares determinantes: a lealdade de comportamento e o alinhamento político. Estas duas vertentes nunca poderão ser descuradas e seria desejável que andassem de mãos dadas.

O PSD da Guarda tem um legado histórico a defender, pois, só 37 anos após as primeiras eleições autárquicas democráticas, em 1976, conseguiu ganhar a Câmara da Guarda. Tem também um episódio histórico a observar, designadamente as razões que contribuíram para que o PS deixasse pôr termo a esses mesmos 37 de governação.

Na família social-democrata, é muito mais aquilo que nos une, do que as circunstâncias que nos separam, daí querer acreditar que, com equilíbrio e racionalidade se evitem erros irreparáveis.

*O autor escreve ao abrigo dos antigos critérios ortográficos.

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