Vereador do PS diz que obra na Rua do Comércio é «uma aberração arquitectónica»

Os vereadores do PS na Câmara Municipal da Guarda querem saber «em que condições» é que os serviços do Ministério da Cultura aprovaram a intervenção na Rua do Comércio, obra inaugurada no final da semana passada. O vereador Joaquim Carreira pediu, na reunião do executivo desta Segunda-feira, para que lhe seja facultado o parecer da Direcção Regional da Cultura do Centro relativo àquela obra. O autarca, que esteve sozinho a representar a oposição dada a ausência de Graça Cabral, disse aos jornalistas no final da reunião que considera aquela intervenção uma «aberração do ponto de vista arquitectónico». «Choca-me verificar que os postes estejam encostados à parede e cortem a linguagem arquitectónica dos edifícios», acusa Joaquim Carreira. O socialista interroga-se «porque razão os postes que no projecto surgiam ligeiramente afastados das fachadas foram apa-rafusados aos edifícios». «É uma situação anómala que alguém vai ter de explicar», sublinha. No entender do autarca, a obra na Rua do Comércio resulta do «facilitismo e ligeireza de fazer as coisas» e que é mais uma prova da «indiferença, a ignorância e a falta de sensibilidade deste executivo» para as questões do património, «para quem é normal cobrir a muralha com uma chapa», lembrando o caso da Porta D’El Rei. Joaquim Carreira referiu ainda que não iria pronunciar-se sobre as questões de segurança que a intervenção poderá levantar, por acreditar que essa questão «tenha sido acautelada» e que seja «uma discussão que nunca se venha a ter». Instado pelos jornalistas com as críticas de Joaquim Carreira, o presidente da Câmara, Álvaro Amaro, disse que «obviamente» serão facultados aos vereadores do PS os pareceres para a intervenção na Rua do Comércio. «Cabe na cabeça de algum cidadão que iriamos fazer a intervenção sem termos os pareceres!», ripostou o autarca. Amaro disse ainda entender que politicamente o vereador Joaquim Carreira esteja «chocado» por ver «que a rua está mais bonita e que se pode passar lá melhor». «Aos políticos choca-lhes aquilo que vamos fazer na Praça Velha», apontou.
Na reunião desta Se-gunda-feira, o executivo voltou à discussão a intenção da Câmara em adquirir o imóvel contíguo aos Paços do Concelho. O vereador do PS voltou a reiterar que se trata de uma compra com valores «especulativos» e que se trata de «um mau negócio» para a Câmara. Joaquim Carreira mantém as críticas mesmo depois de ter acesso ao processo «mais bem ins-truído». Recorde-se que quando o assunto foi abordado pela primeira vez, o autarca pediu mais elementos sobre o que estava em causa na compra do imóvel. Joaquim Carreira defende que a situação seja «avaliada correctamente por quem de direito» porque entende que os 348 mil euros é um valor «avultado».
O autarca socialista aponta defeitos à avaliação do imóvel, discordando de alguns critérios, como sendo o facto do edifício ser comparado a espaços de habitação, quando está registado para serviços, e o facto da taxa de depreciação se fixar nos 62,5 por cento. Joaquim Carreira defende que estando o edifício quase em ruína o valor desta taxa deveria estar nos 80 por cento. O arquitecto contesta o valor apurado na avaliação que aponta para os 326 mil 900 euros, defendendo que «não deve valer mais do que 200 mil euros». «Não posso ser conivente com a decisão da Câmara», argumenta.
Álvaro Amaro reconhece que a Câmara vai pagar mais do que o valor apurado na avaliação, mas justifica que poderia ser pago um valor acrescido à avaliação. O valor, explicou, foi acordado no processo de negociação com os proprietários que pediam 400 mil euros pelo imóvel. «Houve um aproximar de posições dentro do quadro legal», esclareceu.

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