Vereadores do PSD dizem que desistência do apoio ao TMG é uma«péssima prenda de Natal» para a Guarda, mas presidente justifica com «regras da boa gestão»

A recusa da Câmara da Guarda em assinar com a Direcção Geral das Artes (DGArtes) o contrato que previa um apoio de 800 mil euros ao Teatro Municipal da Guarda (TMG) em quatro anos, continua na ordem do dia. O presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, agendou para esta hora uma conferência de imprensa para «esclarecer alguns dos assuntos abordados a propósito da candidatura do Teatro Municipal da Guarda».

Foi na última Assembleia Municipal que o autarca anunciou a decisão de não assinar o contrato, tendo, no dia seguinte, os vereadores do PSD, Victor Amaral e Carlos Chaves Monteiro, manifestado «perplexidade» com os argumentos apresentados por Sérgio Costa na Assembleia para «desistir» da candidatura que o executivo apresentou em finais do ano passado. Victor Amaral, ex-vereador da Cultura, disse ser «uma péssima prenda de Natal para a Guarda» e assumiu que é com «muita tristeza» que assiste a este desfecho. O eleito do PSD apontou que mais nenhuma câmara, responsável pelos equipamentos apoiados, terá recusado assinar este contrato.

O presidente da Câmara manteve os argumentos de que «não se está no caminho certo». Frisou o investimento que a candidatura obrigava o TMG a fazer durante quatro anos e o facto de ter havido uma redução do número de espectadores este ano quando a programação já foi feita baseada no acordo com a DGArtes.

O autarca precisou que este ano foram gastos 780 mil com a programa e que «a acontecer assim durante os próximos três anos» teriam de ser gastos três milhões de euros para se receber os 800 mil euros. E frisou a redução do número de espectadores em comparação com o ano de 2019, considerado normal. Este ano a expectativa é que o TMG some 9 mil espectadores, quando em 2019 foram 14.600. Sérgio Costa disse aos jornalistas no final da reunião que «qualquer presidente de câmara não gostaria de tomar esta decisão», mas argumenta que «não se pode contrariar as regras da boa gestão». Sérgio Costa evidenciou ainda que a decisão foi tomada «de uma forma realista», com base num relatório dos serviços que concluem «não haver condições» para assumir tal compromisso. «Os números são mais negativos do que esperávamos», reconheceu.

Recorde-se que candidatura à DGArtes foi feita no final do ano passado já pelo executivo de Sérgio Costa. O autarca argumenta que na altura os números referidos por aquela entidade eram diferentes dos apresentados no acordo que deveria ser assinado.

Os vereadores do PSD dizem não ter ficado convencidos com os argumentos e criticam o facto da bilheteira ser considerada como critério. «Nunca o TMG deu lucro. Não foi essa a visão para a cultura», sustentou Carlos Chaves Monteiro. O vereador Victor Amaral diz que «fica claro» que o presidente da Câmara «não se revê no perfil de programação da DGArtes» e «não se identifica com as exigências».

O vereador Luís Couto não se pronunciou na reunião sobre o assunto, mas questionado pelos jornalistas afirmou que a explicação dada pelo presidente da Câmara parece «ter alguma coerência», dado que o TMG «é uma estrutura demasiado pesada em termos financeiros».

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