“Vergílio Ferreira: Espaço do (In)visível” na Torre do Tombo até Janeiro

O Instituto dos Arquivos Nacionais/Torre do Tombo (IANTT), em Lisboa, tem patente até dia 31 de Janeiro do próximo ano “Vergílio Ferreira: Espaço do (In)visível”. A exposição surge no âmbito do programa comemorativo do nascimento do escritor (1916-2016), natural de Melo (Gouveia), é promovida pelo Município gouveense e o IANTT e pode ser visitada de Segunda a Sexta-feira das 9h30 às19h30 e ao Sábado das 9h30 às 12h30.
Pretendendo «celebrar a criação literária de Vergílio Ferreira, um dos mais marcantes autores de língua portuguesa de todos os tempos», esta encontra-se organizada em quatro núcleos temáticos: Do Lugar e dos Documentos da Escrita; Da Censura; Das Marginalia e Do Espírito do Lugar: A Aldeia Eterna.
Nas palavras de Vergílio Ferreira, «se o espaço do invisível se anuncia no do visível, é na obra de arte que mais presente e visível se nos revela o invisível». Daí que um dos objectivos desta exposição, explicam os promotores, é «tornar visível um “sulco de sinais” por entre o universo fascinante e fascinado da ficção vergiliana». Para o efeito, «expõe os objectos (…) indissociáveis do território da criação literária (cadeirão, prancheta e outros), manuscritos inéditos, romances e ensaios com correções e aditamentos autógrafos para futuras edições – algumas nunca concretizadas –, bem como livros proibidos ou autorizados com cortes pela Censura».
Os livros de «alguns dos mais importantes autores da biblioteca particular de Vergílio Ferreira, que contém um número considerável de marginalia (anotações e comentários, não só nas suas margens, mas também nas folhas de guarda ou páginas de anterrosto e rosto)», também marcam presença na exposição.
No último núcleo encontram-se «vários registos e documentos sobre o “espírito do lugar” primordial de Vergílio Ferreira e dos protagonistas dos seus romances e narrativas breves, tornando igualmente visíveis a aldeia eterna e a montanha presentes no “espaço do invisível” da arte vergiliana, pois como lemos em Cântico Final: “Mário falava com frequência da “metafísica” da sua serra, dos nevoeiros, dos nevões, do signo de eternidade que marcava a sua aldeia. E dizia que só a subida até ela poderia operar a depuração para entendê-la”».

«Um dos maiores romancistas portugueses»
Romancista e ensaísta português, natural de Melo (Gouveia), Vergílio Ferreira nasceu em 1916. Estudou no Seminário do Fundão, licenciou-se em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra e exerceu funções docentes no Ensino Secundário. Notabilizou-se no domínio da prosa ficcional, sendo um dos maiores romancistas portugueses deste século.”Literariamente, começou por ser neo-realista (anos 40), com “Vagão Jota” (1946), “Mudança” (1949), etc. Mas, a partir da publicação de “Manhã Submersa” (1954) e, sobretudo, de “Aparição” (1959), Vergílio Ferreira adere a preocupações de natureza metafísica e existencialista. A sua prosa, que entronca na tradição queirosiana, é uma das mais inovadoras dos ficcionistas deste século.
O ensaio é outra das grandes vertentes da sua obra que, aliás, acaba por influenciar a sua criação romanesca. Temas como a morte, o mistério, o amor, o sentido do universo, o vazio de valores, a arte, são recorrentes na sua produção literária.
Além disto, Vergílio Ferreira deixou-nos vários volumes do diário intitulado “Conta-Corrente”. Das suas últimas obras destacam-se: “Espaço do Invisível”, “Do Mundo Original” (ensaios), “Para Sempre” (1983), “Até ao Fim” (1997) e “Na tua Face” (1993). Recebeu o Prémio Camões em 1992, lê-se na página oficial da Wook – livraria portuguesa online.
Após a sua morte, a 1 de Março de 1996, em Sintra, a Câmara de Gouveia e a Universidade de Évora criaram prémios literários em sua memória. O espólio do escritor composto por prémios, livros e alguns objectos pessoais foi doado a Gouveia, estando em exposição na Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira.
O seu espólio de originais manuscritos de quase todos os seus romances foi doado à Biblioteca Nacional, escreve a Câmara de Gouveia na sua webpage.

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