“Vila Josephine” vai ser transformada em residência artística

A Câmara de Gouveia quer «manter a memória» daquilo que era “Vila Josephine” «enquanto Vergílio Ferreira a frequentava e utilizava». «Aquilo que queremos fazer lá é uma residência artística onde estudiosos ou simples admiradores e curiosos da vida e obra de Vergílio Ferreira possam, por um lado, apreender qual era o ambiente da aldeia que o influenciava, e ao mesmo tempo apreender o ambiente da casa onde ele ficava, do local onde ele trabalhava, do local onde ele tocava violino», adianta o presidente, Luís Tadeu. «Mas uma memória que seja viva», ressalva, «que tenha a utilização frequente por parte deste público, e que a venha visitar como um espaço que é mais um que consta no Roteiro Vergiliano que também construimos em Melo». «É mais uma paragem mas uma paragem com um simbolismo muito próprio», afirma o autarca.
Igualmente conhecida por “Casa Amarela”, “Vila Josephine”, situada na praça principal de Melo, foi mandada construir pelos pais de Vergílio Ferreira e inspirou a arquitectura da casa da ficção de “Para Sempre” e “Cartas a Sandra”.
Em Agosto do ano passado, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, numa visita a Melo, e aproveitando a presença de um representante da família do escritor, natural daquela aldeia, lançou o desafio de transformar a casa num «centro de cultura aberta» aos interessados em discutir a obra de Vergílio Ferreira, para revisitar a sua vida e recordá-lo. E mostrou-se confiante de que «a família um dia» chegaria a um acordo com a Câmara e que isso aconteceria no seu mandato.
«A compra da “Vila Josephine” já era nossa intenção até como de alguma forma o computar deste ano de comemorações. A vinda do senhor presidente da República e o desafio que nos lançou veio apenas reforçar em termos da nossa vontade de acelerarmos, e também ajudar a que a família pudesse ter eventualmente uma outra disponibilidade para podermos concretizar a compra», esclarece Luís Tadeu.
O contrato de aquisição do imóvel, recheio incluído, foi assinado dia 28 de Janeiro durante o encerramento das comemorações do centenário do nascimento do escritor, iniciadas precisamente um ano antes.
«Foi nossa intenção não apenas adquirir o espaço mas adquirir também o recheio do imóvel precisamente para o salvaguardar e para manter o mais possível aquilo que era o ambiente da própria casa», justifica o autarca, revelando que o espaço poderá contemplar «um ou dois quartos que possam ser utilizados precisamente pelos estudiosos que queiram visitar a casa e que aí fiquem o tempo que entenderem».
«O desejo era que estivesse a funcionar já», mas ainda falta algum tempo até que “Vila Josephine” esteja pronta para abrir as portas como residência artística. O imóvel necessita de obras, que ainda estão ser estudadas, não havendo uma previsão do orçamento que estas implicam. Uma das intervenções que merece destaque é aquela que está prevista para o rés-do-chão. «A loja, que hoje é um espaço de arrumação, vai ter uma vocação completamente diferente, muito provavelmente um pequeno auditório para 30 a 40 pessoas, para se poder fazer ali eventos de outra natureza mais colectiva», avança Luís Tadeu, concluindo que «queremos dar andamento a isto, não é para ficarmos parados à espera de surgir uma ideia luminosa».
GM

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