Vinte anos após os atentados nos EUA: António Augusto Rocha, de Seia, é uma das vítimas do ataque às torres gémeas

Há vinte anos, o World Trade Center (WTC), em Nova Iorque, foi alvo de atentados. Dois aviões de passageiros embateram, com alguns minutos de intervalo (08:46 e 09:04, horas locais, +5 em Lisboa), nas torres gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque, provocando o seu desabamento poucas horas após o impacto; um terceiro avião conduzido pelos terroristas colidiu contra o edifício do Pentágono; um quarto avião despenhou-se num descampado em Shanksville, após os passageiros e tripulantes terem tentado tomar o controlo do aparelho.

Os atentados perpetrados por membros do grupo terrorista Al-Qaida causaram a morte a cerca de três mil pessoas naquele que é considerado o maior ataque contra território norte-americano. A guerra contra o terrorismo passou a ser a principal preocupação dos EUA. No Sábado completam-se duas décadas após a queda das torres gémeas.

Dos nove portugueses mortos nos atentados, em Nova Iorque, uns trabalhavam no WTC, outros estavam «no sítio errado à hora errada» e quase todos perderam a vida a ajudar outras pessoas. António Augusto Tomé Rocha, natural de Vila Verde, uma aldeia do concelho de Seia marcada fortemente pela emigração para os EUA, faz parte da lista das vítimas. O senense, na altura com 34 anos, integrava a equipa da “Cantor Ftzgerald Securities”, empresa que coupava os pisos 101, 103, 104 e 105 da torre norte, a primeira a ser atingida. O português, casado e pai de duas crianças, trabalhava no piso 105 e já estava no escritório quando o avião chocou com o edifício. Ainda conseguiu telefonar para a mulher Marilyn: «Um avião bateu contra o Wordl Trade Center, há fogo, muito fumo, mas não te assustes…». A mulher não compreendeu as últimas palavras e deixou de o ouvir.

O corpo de António Rocha foi o primeiro, dos portugueses dados como desparecidos, a ser resgatado dos escombros. Foi aos dois anos de idade que, juntamente com os pais, abandonou Vila Verde (pertencente à freguesia de Tourais) em direcção a terras do “Tio Sam”. A notícia da sua morte foi recebida com consternação na pequena aldeia natal. Um desfecho que só veio confirmar o que o seu tio, José Correia Tomé, residente em Seia, já temia. «Estava a ver a televisão, quando deram as imagens do atentado no World Trade Center e vi logo que se passaria o pior com o meu sobrinho. É que ele começava a trabalhar às sete da manhã», contou na altura ao PÚBLICO, profundamente consternado, José Correia Tomé.

«Fiquei logo chocado e pressenti o pior, porque o avião bateu precisamente no mesmo lugar onde ele trabalhava». Emigrante nos EUA durante 24 anos, tendo regressado definitivamente a Portugal há já algum tempo, José Correia Tomé diz que conhecia perfeitamente o WTC: «Gostava de subir ao edifício para ver a paisagem e a estátua da Liberdade».

Dez anos após os atentados, Augusto Rocha, pai de António Rocha, disse, em entrevista à agência Lusa, que iria cumpri o desejo antigo de ir à inauguração do monumento às vítimas do ataque terrorista ao Worl Trade Center, acompanhado dois dois netos (Alyssa, que tinha 13 anos, e Ethan, de apenas 10 anos). «Há muito tempo que pedia à minha nora que, quando as crianças tivessem a idade de entender melhor as coisas, a história do pai, pudesse com eles irmos a Nova Iorque assistir à abertura do “Memorial”», uma cerimónia que viria a ocorrer no dia 11 de Setembro de 2011.

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