Viva a democracia

O título da crónica foi retirado de uma parede granítica, em rua estreita, Fernão Joanes.

Sublinho que o autor, anónimo, tenha enfatizado a democracia – Bem de todos e para todos – em detrimento de outros valores mais específicos: viva a revolução (uns contra os outros), ou o seu partido em contraposição aos restantes.

Aí resiste, em branco esbatido – em luta contra o desgaste do tempo – o essencial, o ponto de união de toda a comunidade.

Tronco de onde emerge : a Liberdade, pluripartidarismo, a liberdade de expressão, a soberania do povo na sua expressão cidadã no dia-a-dia e na sua manifestação formal em eleições livres, a justiça social, a educação, saúde, justiça, desenvolvimento humano e equidade.

Sabemos- sentimo-lo todos e todos os dias – como vários destes ramos estão doentes.

Os 48 anos de democracia fizeram de Portugal um País melhor, mais desenvolvido, aberto e plural.

Mais arejado e menos bolorento.

Acabou o pior da ditadura: a censura.

A censura impediu a pluralidade da opinião política. Mas, porque muito longa, condicionou a vida cidadã em todas as suas facetas, relacionamento pessoal e institucional.

Ainda hoje, resquícios dessa forma de ser, afloram no dia a dia através do “o respeitinho é muito bonito”, “manda quem pode”…..

A liberdade de expressão e pensamento é condição indispensável numa democracia adulta.

Os partidos políticos – indispensáveis à democracia – estão em crise.

Em França os partidos alicerces da democracia obtiveram, recentemente, cerca de 10 % dos votos expressos. As correntes populistas conseguiram 52 %.

Portugal, está longe, mas vai a caminho. Temos de tratar com urgência o cancro. Não me parece que ignorar os populistas ou minimizá-los seja a solução. Acrescenta capital de queixa ao seu discurso demagógico. Não dá resultado. A França prova-o. O caminho- é sempre assim na vida- é atacar o problema de frente e com verdade. Temos de secar a fonte das suas “pequenas verdades”: a corrupção, a exclusão social, os boys na administração pública.

A abstenção eleitoral, a sub representação do interior e dos emigrantes, a escolha dos eleitos exclusivamente pelas cúpulas partidárias, cavou um fosso, quase intransponível entre eleitores e eleitos.

A Justiça, condição de liberdade, está “ no termo de cada legislatura sempre aquém, do necessário”. (António Barreto, 2022). Move-se, adapta-se às condições sociais, mas de forma lenta e tardia. O povo vê nela duas faces, o que mina a democracia.

Nos tempos de democracia a riqueza cresceu em Portugal. A desigualdade social, económica, e inter-regional também. Cerca de 20% dos portugueses são pobres. Muita gente depende da protecção social- uma conquista da democracia- não toleramos a exclusão. Mas a dependência duradoura limita o exercício da cidadania ativa. Há que formar, capacitar e autonomizar.

A sociedade inclusiva necessita da colaboração ativa de todos – todos somos poucos. O nosso tecido social envelhecido agradece a juventude dos que nos procuram. O País precisa, principalmente o interior, de jovens, como de pão para a boca.

A democracia deve cumprir o desenvolvimento, um dos “D” de Abril, qualificação, diferenciação e crescimento e aumento da produtividade em todas as áreas do tecido social. Não há como distribuir bem o que não se produz. O endividamento privado e público é excessivo. O PRR e uma maioria absoluta são -numa Europa com sistema partidário fragmentado- , uma conjugação favorável e irrepetível. Do seu aproveitamento ou não vai a diferença do Estadista ao líder partidário.

A guerra está na Europa.

Bruta e selvagem.

Com adeptos em todo o lado, também entre nós.

A liberdade de expressão (também aqui) é um bem: permite conhecer a realidade toda, inteira, mesmo que dela discordemos. Houvesse liberdade de expressão na Rússia e a rebelião do povo – tenho a certeza- já teria acabado com a ditadura russa e com a invasão da Ucrânia e outros países vizinhos. Ajudar a Ucrânia, agora e mais à frente, na sua reconstrução, fortalece a solidariedade europeia, reforça a nossa defesa e autonomia. Estreita laços com a Aliança Atlântica.

Os novos líderes, : Volodymyr Zelensky, Roberta Metsola, Úrsula Von der Leyen, mostra às novas gerações a diferença entre lutar por valores – democracia e liberdade – ou caminhar entre os pingos da chuva das anteriores liderança europeias e da ONU actual. De facto, voltando ao início, para que a DEMOCRACIA VIVA é necessário empenho e vigilância constante, neste caminho em construção, de todos – todos temos um papel a desempenhar.

Palavras dos outros:

Adriano Moreira, 22/07/2015; “…pela voz do seu presidente Putin, (soubemos) que a fronteira de interesses do seu país é mais vasta que a sua fronteira geográfica…”. “ A crise que se desencadeou na Ucrânia serve de aula prática para os mais desatentos, e mostra que enquanto a União Europeia anda absorvida na ideologia do orçamento, a Rússia….”

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