Voltar à realidade

Terminou o estado de alienação coletiva quase total para o qual a participação da seleção em competições futebolísticas internacionais sempre nos transporta. Cavalgado pelos nossos políticos em órgãos de soberania nacionais que voaram para o Qatar em voo rasante – impossibilitando a utilização do Falcon para a Ministra da Defesa visitar tropas no estrangeiro – permitiu ainda uma remodelação governamental pelos pingos da chuva.

Agora em fora de jogo, temos mais tempo e atenção para os problemas do país e da região, uns crónicos e de há décadas, outros recentes e ainda frescos.

A chuva intensa, com níveis de precipitação absolutamente colossais, trouxe novamente para a discussão pública as alterações climáticas, uma prioridade de muitos jovens e valorizada em nos bonitos discursos de muitos governantes, mas sem ações à altura da magnitude e urgência do problema.

Este fenómeno climatérico extraordinário, a que Marcelo Rebelo de Sousa prontamente acorreu, fazendo-se filmar na própria noite em direto e intervindo – falando muito, como de costume – ao lado de Carlos Moedas, fez-me recordar o flagelo por que passou a Serra da Estrela e o nosso território no Verão. Foi há pouquíssimos meses, mas neste frenesim dos media e redes sociais em que vivemos parece que foi noutra vida. Todavia, para as pessoas que vivem em áreas ardidas e que dependiam dos terrenos arrasados para o seu dia-a-dia, acredito que assim não seja. Infelizmente, são menos visíveis, não estão na capital e o Presidente não acorre à primeira intempérie. Olhos que não vêm, coração que não sente, já diz o ditado.

Felizmente, nestes últimos dias, Marcelo Rebelo de Sousa iniciou um périplo por vários dos locais mais fustigados pelos incêndios no Verão passado.

Visitou a 12 de dezembro Ourém, tendo o órgão de comunicação social “Região de Leiria” citado a primeira figura da Nação dizendo que “Não posso ir a todos os lugares, mas irei simbolicamente a alguns dos que foram atingidos” e adiantou que estas visitas iriam permitir “ouvir o Governo, o que está a ser feito e como se está a prevenir”.1

Mas, voltemos atrás. No rescaldo da tragédia que ocorreu em agosto, o Governo agiu celeremente e declarou o estado de calamidade por um ano para o Parque Natural da Serra da Estrela, avançou com a elaboração de um Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela e aprovou 200 milhões de euros para os territórios que foram fustigados pelos incêndios. Destes, 40 a 50% – 80 a 100 milhões – para aplicar na Serra da Estrela.

Portanto, passados estes meses e após os positivos primeiros passos, será altura de fazer um ponto de situação e de informar os cidadãos dos desenvolvimentos tomados. A presença de Marcelo Rebelo de Sousa e o seu impacto mediático podem ser uma ajuda preciosa nesta luta de toda a Serra da Estrela.

1 https://www.regiaodeleiria.pt/2022/12/presidente-da-republica-impressionado-com-incendio-de-ourem-mesmo-passados-seis-meses/

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