Zona envolvente do Chafariz da Dorna requalificada por decisão dos guardenses

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Estão praticamente concluídas as obras de requalificação da zona envolvente ao Chafariz da Dorna, junto da Avenida Francisco Sá Carneiro. A intervenção foi feita no âmbito do orçamento participativo da Câmara da Guarda, no qual estavam disponiveis 20 mil euros para serem aplicados num projecto escolhido pelos munícipes. Os guardenses escolheram o Chafariz da Dorna. A escolha foi feita entre três projectos, restando ainda a requalificação da capela do Solar dos Póvoas e a criação de um espaço jovem no Parque Municipal. A obra foi incluída na requalificação daquela zona da cidade.
O Chafariz da Dorna, classificado como imóvel de interesse público, está escondido nas traseiras de uma estação de serviço. Quem não conhecer a cidade e passar pela Avenida Sá Carneiro não se apercebe da presença daquela construção em granito, encimado por um brasão real joanino de feição neo-gótica. É preciso descer à cota inferior da estrada pelo que resta da calçada romana ou seguir as placas das rotas pedestres para dar conta do local. Nos últimos anos, o local tornou-se mais visível aos guardenses, pelo menos para aqueles que residem nas habitações recentemente construídas naquela zona e que utilizam o espaço como passagem.
Nos últimos anos falou-se algumas vezes na pos-sibilidade do espaço ser requalificado, mas as ideias não passaram de meras intenções. A intervenção chegou a ser considerada «prioritária» pela autar-quia, fez parte de um projecto privado e chegou a ser incluída no Plano de Desenvolvimento Estratégico da Comunidade Urbana das Beiras. Nada avançou.

Privados quiseram intervir
O Chafariz está classificado como monumento de interesse público desde 1978. O local onde se encontra foi originalmente uma entrada para a cidade. Por ali se fazia a entrada dos camponeses para o mercado. Tanto como vereadora como presidente da Câmara, Maria do Carmo Borges afirmou várias vezes que era uma «prioridade» para a autarquia, até porque a Câmara «estava virada para os valores arquitectónicos e de certeza absoluta seria uma das partes contempladas». Mas a estratégia mudou e em 2007 é colocada a hipótese do imóvel ser requalificado por privados integrado num projecto de loteamento. O projecto elaborado por dois arquitectos, um historiador e um restaurador, ainda deu entrada na Câmara, mas viria a ser recusado. Como noticiou na altura o TB, o projecto oferecido pelos promotores previa a reposição de água com um sistema de bombagem, uma intervenção no edifício dos lavadouros públicos e o arranjo do largo. Quelhas Gaspar, autor do projecto e técnico de património, manifestou-se na altura «frustrado» com o desfecho. Para os promotores foi ainda mais difícil compreender a posição da autarquia tendo em conta que o então IPPAR não colocou qualquer entrave. O IPPAR fez apenas alguns reparos ao nível paisagístico relacionados com as árvores que havia a plantar e com o estacionamento que era proposto. «A Câmara Municipal não terá segura-mente uma oportunidade como esta para fazer a intervenção que o monumento precisa», afirmou na altura, lembrando que os entraves foram colocados pelos serviços técnicos da autarquia. A empresa que se propunha realizar a obra – a Marques & Saraiva – Construção Civil propunha que a autarquia suportasse metade dos custos estimados em 175 mil euros.
Mais tarde, a requalificação do Chafariz viria a ser mencionada no Plano Estratégico e de Desenvolvimento da Comu-nidade Urbana das Beiras. Era um dos projectos listados para o concelho da Guarda. Recorde-se que posterior-mente a Comunidade Urbana das Beiras viria a ser fundida com a Comunidade da Serra da Estrela sendo elaborado um novo plano estratégico do qual já não faz parte aquele projecto, apesar de estarem incluídos projectos a nível do património.

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